Na última terça feira, 25 de novembro, o Vaticano tornou pública uma Nota Doutrinal que reafirma a defesa da monogamia e rejeita de forma direta o poliamor. O texto foi aprovado pelo papa Leão XIV em 21 de novembro e orienta os católicos a manterem vínculos afetivos exclusivos.
A posição divulgada pela Santa Sé afirma que a vida cristã não é compatível com relacionamentos simultâneos. Para a Igreja, o matrimônio e qualquer união estável só fazem sentido como compromisso entre duas pessoas que se entregam de modo integral uma à outra.
Poliamor é criticado severamente em nova regra pelo Vaticano: “não pode ser compartilhado”
A Nota, intitulada “Una caro. Elogio à monogamia”, parte da ideia de que a união conjugal tem uma natureza única por envolver entrega total de cada cônjuge. O organismo doutrinal da Santa Sé apresenta esse ponto como fundamento para rejeitar relações abertas, poliamorosas ou poligâmicas.
O texto insiste que, quando mais de uma pessoa participa do laço afetivo, a doação individual deixa de ser completa e perde a força moral e espiritual que a Igreja atribui ao matrimônio.
A exclusividade, segundo o documento, protege a dignidade do outro, pois impede que a relação se transforme em um arranjo que sirva apenas às necessidades de uma das partes.
O Vaticano afirma que decidiu publicar a Nota diante de dois fenômenos que, na visão da hierarquia, avançaram nos últimos anos.
O primeiro diz respeito às discussões com bispos africanos sobre práticas poligâmicas ainda presentes em algumas culturas locais, inclusive entre cristãos. O segundo envolve o crescimento, no Ocidente, de relações poliamorosas assumidas publicamente.
Para a Santa Sé, esses modelos difundem a ideia de que a intensidade emocional pode ser reproduzida indefinidamente ao lado de diferentes parceiros, algo que o texto descreve como ilusório.
Vaticano diz que exclusividade no relacionamento não é limitação
Outro ponto central da Nota é a defesa de que a exclusividade não é uma limitação, mas um caminho para um amor mais estável. A Igreja associa a fidelidade ao que chama de promessa aberta ao infinito, sustentada por escolhas renovadas e responsabilidade mútua.
A intenção declarada do documento é reforçar a compreensão do casamento como união indissolúvel, ao mesmo tempo em que destaca que o cuidado, o respeito e a liberdade pessoal precisam estar presentes no cotidiano do casal.
A Santa Sé também critica qualquer forma de violência ou controle dentro da relação e esclarece que o matrimônio não autoriza posse ou dominação, e por isso, não espera que um relacionamento continue nessas condições, apesar de não incentivar o divórcio, já que vê o casamento como vitalício.
Ao final, o Vaticano reafirma que o ideal cristão é construído sobre um vínculo exclusivo entre duas pessoas que se escolhem de maneira livre e definitiva, e que essa escolha, por sua natureza, não pode ser compartilhada.






