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Planeta se desintegra e forma cauda igual a cometa

Por Leticia Florenço
27/04/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Sistema Solar - Reprodução/iStock

Sistema Solar - Reprodução/iStock

Um fenômeno astronômico impressionante tem chamado a atenção de cientistas de todo o mundo: a desintegração de um planeta distante, localizado a cerca de 140 anos-luz da Terra.

Este planeta, denominado BD+05 4868 Ab, está passando por um processo extremo de destruição e evaporação, o que o torna um dos objetos mais fascinantes e estudados do cosmos atualmente. Os astrônomos que fizeram essa descoberta utilizaram o satélite TESS, da NASA, para observar esse evento raro e peculiar.

Desintegração do BD+05 4868 Ab

O planeta BD+05 4868 Ab, um planeta rochoso com massa similar à de Mercúrio, está orbitando sua estrela a uma distância extremamente curta. Para se ter uma ideia, ele está 20 vezes mais próximo de sua estrela do que Mercúrio está do Sol, o que resulta em temperaturas de superfície extremamente elevadas.

Com cerca de 1.600°C, a superfície do planeta se transforma em um oceano de magma incandescente. Esse calor intenso faz com que o material rochoso da superfície evapore e seja expelido para o espaço, criando uma cauda impressionante de poeira e minerais.

Cauda do planeta

O processo de desintegração do planeta não é apenas visualmente impressionante, mas também é um fenômeno físico fascinante. Durante cada uma de suas 30,5 horas de órbita ao redor da estrela, o planeta perde uma enorme quantidade de material.

Essa perda ocorre de maneira tão intensa que cria uma cauda de poeira com cerca de 9 milhões de quilômetros de comprimento, o que equivale a quase metade de sua própria órbita.

O material que é perdido é composto principalmente de minerais, que se espalham pelo espaço de maneira similar ao que ocorre com cometas, mas com uma composição completamente diferente. Em vez de gelo e gases voláteis, a cauda do BD+05 4868 Ab é formada por grãos minerais.

O planeta é tão pequeno e tem uma gravidade tão baixa que ele não é capaz de conter a própria massa. Isso facilita a perda contínua de material, acelerando o processo de desintegração.

A cada órbita, o planeta perde o equivalente a um Monte Everest de material, o que significa que, ao longo de milhões de anos, o planeta está lentamente se desfazendo. Cientistas afirmam que o planeta pode desaparecer por completo em até 2 milhões de anos, uma velocidade impressionante para a destruição de um corpo celeste.

Estágio avançado de desintegração

De acordo com os cientistas, o planeta BD+05 4868 Ab está em um estágio extremamente avançado de desintegração. Avi Shporer, cientista do MIT e um dos responsáveis pela pesquisa, afirma que “parece que o planeta está nos seus últimos suspiros”.

Esse estágio avançado de desintegração é uma raridade, já que poucos planetas fora do Sistema Solar exibem sinais desse tipo de fenômeno. Até o momento, apenas três planetas conhecidos apresentaram sinais de desintegração, mas o BD+05 4868 Ab é, de longe, o que tem a cauda mais extensa registrada.

O que este fenômeno pode nos ensinar?

Essa descoberta não é apenas intrigante do ponto de vista astronômico, mas também tem implicações importantes para a pesquisa exoplanetária. O planeta BD+05 4868 Ab oferece uma oportunidade única para os cientistas estudarem planetas rochosos fora do Sistema Solar.

O processo de desintegração permite que os astrônomos obtenham informações sobre a composição interna do planeta, algo que seria impossível de observar diretamente em outros planetas.

O Telescópio Espacial James Webb (JWST) será uma das ferramentas utilizadas pelos astrônomos para aprofundar esses estudos. Ele será capaz de analisar em detalhes a cauda mineral do planeta, oferecendo insights valiosos sobre a estrutura interna do BD+05 4868 Ab e sobre o comportamento de planetas rochosos próximos a estrelas superquentes.

Esses dados podem, no futuro, nos ajudar a entender melhor a diversidade de planetas em nossa galáxia, bem como o potencial de habitabilidade de outros mundos.

Futuro da pesquisa e observações

Os astrônomos têm grandes expectativas em relação às futuras observações desse planeta. Com a ajuda de telescópios de última geração, como o JWST, os cientistas podem não apenas acompanhar o processo de desintegração, mas também entender melhor como planetas rochosos podem evoluir sob condições extremas.

A busca por outros planetas que apresentem comportamentos semelhantes pode abrir portas para novas descobertas sobre a formação e a destruição de corpos celestes em todo o universo.

Se o estudo do BD+05 4868 Ab seguir conforme o planejado, ele poderá se tornar um dos maiores exemplos de como eventos catastróficos podem revelar segredos escondidos nos planetas além de nosso Sistema Solar.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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