Um estudo conduzido pela Unoeste, em Presidente Prudente, investigou a eficácia do tratamento para picadas de cascavel em diferentes regiões do Brasil. A pesquisa apontou que o soro anti-Crotalus, produzido a partir do veneno da subespécie Crotalus durissus terrificus, pode não neutralizar de forma completa o veneno de outras subespécies, comprometendo a proteção oferecida pelo antiveneno em algumas localidades.
A pesquisa também analisou cinco subespécies adicionais: C. d. durissus, C. d. marajoensis, C. d. ruruima, C. d. colillineatus e C. d. cascavella. Os pesquisadores destacaram que a variação geográfica das cobras influencia diretamente a composição do veneno.
Risco de não neutralizar o veneno
Entre elas, o veneno da C. d. cascavella, presente na região Nordeste, apresentou maior potência. O soro comercial demonstrou baixa eficácia frente aos efeitos neuromusculares da C. d. colillineatus, do Centro-Oeste, e da C. d. ruruima, do Norte.
Como alternativa ao antiveneno, os pesquisadores testaram o anti-inflamatório varespladib, que se mostrou eficiente contra os venenos de C. d. colillineatus, C. d. terrificus e C. d. cascavella, mas não apresentou efeito sobre a C. d. ruruima.
O professor Dr. Rafael Stuani Floriano ressaltou que a droga pode ser promissora, pois a maior parte do veneno dessas subespécies é formada por fosfolipases A2, enzimas-alvo da substância.
Tratamento contra picada de cobras
Acidentes causados por cascavéis correspondem a cerca de 12% dos envenenamentos por cobras no Brasil e são considerados os mais graves, devido ao risco de paralisia e dificuldade respiratória.
O tratamento mais eficaz continua sendo o soro antiofídico, que deve ser administrado em ambiente hospitalar por via intravenosa, respeitando a gravidade do caso e o tipo de serpente envolvida.
A rapidez no atendimento é fundamental. A identificação da espécie ajuda na escolha do soro adequado, enquanto práticas como torniquetes, cortes na ferida ou tentativa de sugar o veneno podem agravar o quadro clínico.
No país, o Sistema Único de Saúde (SUS) garante a distribuição gratuita dos soros em hospitais de referência, com o Instituto Butantan como principal produtor.






