Eles acumulam castelos, joias raras, supercarros e até foguetes espaciais, mas quando se trata de definir o que realmente não pode faltar na vida dos mais abastados, a resposta surpreende pela funcionalidade: o jato particular.
Uma pesquisa recente conduzida pela Forbes revelou que, entre todos os objetos de desejo do seleto grupo de bilionários globais, o que mais se destaca não é uma relíquia artística nem uma experiência gastronômica estelar, e sim um avião privado. Para eles, tempo é mais valioso do que qualquer bem material.
O relógio é o novo símbolo de status

A sondagem ouviu 40 bilionários, e 12 deles apontaram o jato como seu bem mais imprescindível. O motivo? Agilidade e autonomia.
A possibilidade de eliminar escalas, conexões, check-ins demorados e imprevistos é simplesmente irrenunciável. Em uma agenda onde cada minuto pode render milhões, perder horas em aeroportos é inaceitável.
David Hoffmann, magnata norte-americano com negócios em imóveis, transporte e mídia, afirmou que sua rotina empresarial só é viável graças ao uso de jatos próprios. Já Samir Mane, o primeiro bilionário da Albânia, exemplifica: um voo de Tirana a Sarajevo leva 20 minutos em jato particular, contra quase um dia em voos comerciais.
Mais aeroportos, menos barreiras
Nos Estados Unidos, há 389 aeroportos públicos, mas apenas 25 operam voos comerciais. O restante é acessível exclusivamente pela aviação executiva, o que garante liberdade de trajeto e flexibilidade de horários, um diferencial que atrai ainda mais os detentores de grandes fortunas.
Um mercado que decolou — e não pousou mais
Desde a pandemia, a demanda por jatos executivos disparou. Hoje, um modelo compacto, ainda que usado, começa na faixa de 1 milhão de dólares, enquanto uma aeronave de ponta, como o Global 7500, ultrapassa os 80 milhões de dólares.
Esse modelo, aliás, oferece cabines multifuncionais, com espaços dedicados ao trabalho, lazer e descanso, além de autonomia para voos intercontinentais sem escalas.
Mesmo com depreciação de até 10% ao ano, o jato é considerado um ativo estratégico. Quatro dos entrevistados revelaram que o avião foi o item mais caro que já adquiriram.
O luxo sem limite: casos fora da curva
Alguns vão além do padrão. Roman Abramovich, ex-proprietário do Chelsea, desembolsou cerca de US$ 350 milhões por um Boeing 787 Dreamliner convertido para uso pessoal.
Já o oligarca russo Alisher Usmanov investiu entre US$ 350 e 500 milhões em um Airbus A340-300 adaptado. Ambas as aeronaves estão sob sanções internacionais desde o início da guerra na Ucrânia, mas não deixam de simbolizar os extremos que alguns estão dispostos a atingir para voar com exclusividade.
No fim das contas, o avião particular é menos sobre ostentação e mais sobre eficiência. Num universo onde decisões valem bilhões e oportunidades não esperam, o que realmente define o topo da pirâmide econômica é quanto tempo se ganha — e como se usa.






