Uma pesquisa divulgada na revista Nature examinou dados genéticos e psiquiátricos de mais de 1 milhão de pessoas com um dos 14 transtornos mentais e de cinco milhões sem diagnóstico, visando compreender os fundamentos biológicos dessas condições e suas conexões.
O estudo revelou que diversos transtornos apresentam determinantes genéticos comuns, indicando que classificações tradicionais, como transtorno bipolar e esquizofrenia, podem não requerer tratamento como doenças totalmente separadas.
Conexão das condições
O estudo genético identificou 238 variantes distintas associadas aos 14 transtornos, muitas delas envolvidas na regulação de funções neuronais específicas. Tanto o transtorno bipolar quanto a esquizofrenia demonstram atividade elevada de genes relacionados a neurônios excitatórios, essenciais para a transmissão de sinais entre células nervosas.
Foi também localizado um ponto crítico no cromossomo 11, que concentra genes ligados ao risco de oito dos transtornos analisados, incluindo o DRD2, um alvo de fármacos antipsicóticos que atuam na modulação da dopamina, neurotransmissor chave para humor, atenção e motivação.
Com base nas análises genéticas, os transtornos foram agrupados em cinco categorias principais: distúrbios relacionados ao uso de substâncias; transtornos internalizantes, como depressão e ansiedade; condições do neurodesenvolvimento, incluindo autismo e TDAH; transtornos compulsivos, como anorexia nervosa e TOC; e um grupo que reúne transtorno bipolar e esquizofrenia.
Resultados
As descobertas sugerem que medicamentos, como antidepressivos, podem ter efeitos cruzados entre transtornos devido a semelhanças biológicas, enquanto fatores ambientais, estresse e experiências de vida interagem com a genética para moldar o desenvolvimento psiquiátrico. Estima-se que metade da população viva algum transtorno mental e que muitos pacientes recebam múltiplos diagnósticos, frequentemente envolvendo uso simultâneo de diferentes medicamentos.
Embora o estudo seja promissor para integrar biologia ao diagnóstico, limita-se por dados majoritariamente de indivíduos de ascendência europeia, exigindo maior diversidade em pesquisas futuras. A aplicação clínica imediata ainda é restrita, mas os achados apontam para tratamentos mais personalizados e menos fragmentados na psiquiatria.






