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Pesquisa revela como reduzir viagem a Marte para três meses

Por Leticia Florenço
26/06/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Marte - Reprodução/iStock

Marte - Reprodução/iStock

Uma das maiores barreiras para uma missão tripulada a Marte sempre foi o tempo de viagem. Os trajetos convencionais, que duram entre seis e nove meses, expõem os astronautas a níveis de radiação cósmica alarmantes, próximos ao limite de segurança estabelecido pela NASA.

No entanto, uma nova pesquisa propõe reduzir esse tempo para apenas 90 dias, mudando completamente a forma como concebemos viagens interplanetárias, e o mais surpreendente é que a proposta não depende de tecnologias futuristas, mas sim do uso de foguetes químicos já em operação.

A proposta de Jack Kingdon

O físico Jack Kingdon, da Universidade da Califórnia, publicou um estudo na revista Scientific Reports que contesta os métodos tradicionais de viagem ao planeta vermelho. Em vez de apostar em propulsão nuclear, Kingdon utilizou o clássico problema de Lambert, que calcula trajetórias interplanetárias de alta energia.

Seus cálculos mostram que, com a combinação certa de lançamento, velocidade e reabastecimento em órbita, seria possível chegar a Marte em apenas três meses usando a Starship da SpaceX.

Uma operação em escala jamais vista

A missão idealizada por Kingdon prevê o uso de seis espaçonaves: duas tripuladas e quatro de carga. Para colocá-las na rota de Marte, seriam necessários cerca de 45 lançamentos de foguetes em um período de duas a três semanas, algo extremamente ambicioso, mas não fora de alcance, considerando os planos da SpaceX de aumentar sua capacidade de lançamento.

O maior desafio logístico aconteceria em órbita baixa da Terra, onde uma frota de naves-tanque da Starship abasteceria as espaçonaves com metano e oxigênio líquido.

A manobra que encurta o caminho

Uma vez totalmente abastecidas, as naves tripuladas dariam início a uma trajetória de alta energia rumo a Marte. A viagem, embora mais rápida, exigiria uma complexa sequência de desaceleração na chegada.

A nave reduziria sua velocidade de entrada por meio de uma queima de motor e, em seguida, usaria a atmosfera marciana para frear ainda mais por meio da aerocaptura, uma técnica em que a espaçonave “desliza” pela atmosfera para perder velocidade sem gastar combustível.

Por fim, um pouso propulsivo encerraria a missão de chegada à superfície marciana.

O estudo demonstra que esse tipo de missão pode ser executado já na janela de lançamento de 2035, desde que duas tecnologias sejam plenamente dominadas até lá: o reabastecimento orbital criogênico em grande escala e a aerocaptura hiperbólica.

Sem esses dois elementos, a missão rápida não seria viável, mesmo com foguetes como a Starship já em operação.

O plano ousado de volta para casa

Se a ida já é um feito desafiador, o retorno à Terra exige uma logística ainda mais elaborada. O plano de Kingdon propõe a construção de uma planta de combustível em Marte, utilizando tecnologias como o reator Sabatier para produzir metano e oxigênio a partir do gelo e do CO₂ presentes no planeta.

Depois, a espaçonave tripulada decolaria da superfície e encontraria na órbita marciana uma nave-tanque previamente enviada para transferir o combustível necessário para o retorno, novamente, em um trajeto de 90 dias.

O próprio estudo reconhece que há uma resistência significativa por parte de agências espaciais como a NASA, que historicamente preferem o uso da propulsão nuclear para voos interplanetários mais rápidos.

Contudo, Kingdon argumenta que essa tecnologia ainda enfrenta muitos entraves técnicos, regulatórios e ambientais, o que limita sua aplicabilidade no curto prazo.

O sonho de Elon Musk

A ideia de uma viagem curta a Marte se alinha perfeitamente com a visão de Elon Musk, fundador da SpaceX. Ele tem declarado, repetidamente, o desejo de estabelecer uma cidade autossuficiente no planeta vermelho.

O plano seria enviar primeiro robôs, depois voluntários, e finalmente uma população permanente. Uma viagem mais curta facilitaria tanto a logística quanto a segurança dessas missões, tornando o sonho de colonizar Marte um objetivo mais palpável.

A proposta de Kingdon pode representar um divisor de águas. Se implementada com sucesso, a missão marciana de 90 dias marcaria o início de uma nova era na exploração do Sistema Solar.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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