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Pesquisa mostra os hábitos de consumo de pessoas envolvidas com tráfico

Por Leticia Florenço
21/11/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Favela - Reprodução/Unsplash

Favela - Reprodução/Unsplash

Pela primeira vez, um levantamento nacional decide investigar de forma profunda os hábitos de consumo, preferências e estilos de vida de pessoas que atuam diretamente na cadeia do tráfico de drogas no Brasil.

O Data Favela apresentou o Raio X da Vida Real, estudo que entrevistou 3.954 moradores de favelas em 23 estados, todos exercendo algum tipo de função recorrente dentro da estrutura do crime organizado.

O peso da informalidade nas decisões financeiras

O estudo mostra que a instabilidade e ilegalidade da atividade exercida transformam profundamente a relação dessas pessoas com o sistema financeiro. Uma parte evita bancos, seja por receio de rastreamento, seja por falta de acesso a serviços formais.

Assim, 28% preferem guardar dinheiro em casa, 10% recorrem a parentes ou amigos, e 2% mantêm valores em cofres. Apenas 16% têm dinheiro em banco.

Mesmo assim, entre os que utilizam serviços bancários, o Bradesco aparece como a instituição mais citada (21%), seguido por Itaú (16%), Caixa (14%), Nubank (13%), Banco do Brasil (11%) e Santander (9%).

Há ainda aqueles que investem de maneira alternativa, 7% aplicam recursos em imóveis ou carros, 5% fazem investimentos financeiros e 4% optam por ouro ou joias.

A força das marcas e o consumo como símbolo de status

O Data Favela dedicou uma parte do estudo a identificar quais marcas são mais admiradas ou usadas por esse público. Os resultados revelam que, apesar das dificuldades impostas pelo contexto, o consumo aspiracional é forte.

No setor de eletrônicos, Apple e Samsung dividem a liderança, cada uma com 31% das preferências, seguidas por Xiaomi, Motorola e LG. Nas operadoras de celular, Claro (35%), TIM (30%) e Vivo (20%) concentram a maior parte dos usuários.

O comércio digital como porta de acesso

O uso de marketplaces digitais é expressivo. A Shopee aparece como a plataforma preferida, com 29% das citações, seguida por Mercado Livre (21%) e Amazon (12%).

A presença de Shein, Temu, AliExpress e varejistas tradicionais como Americanas e Magazine Luiza reforça que esse grupo está totalmente integrado ao consumo online, movido por preços baixos e grande variedade.

Preferências cotidianas que refletem o consumo nacional

Em categorias básicas, os resultados se aproximam do perfil do consumidor médio brasileiro. Entre os cafés, Pilão lidera com 21%. Na cerveja, Heineken aparece em primeiro com 19%, seguida por Brahma e Skol.

No vestuário, Nike domina com 23%, à frente de Lacoste, Adidas e outras marcas associadas a moda esportiva e streetwear. Em itens de higiene e limpeza, Omo, Colgate, Dove e Lux ocupam as primeiras posições, mostrando força das marcas tradicionais.

Mobilidade, status e funcionalidade nas escolhas de motos e carros

O transporte tem papel estratégico na vida desse grupo, especialmente pela necessidade de mobilidade rápida e constante. Entre motos, a Honda lidera com folga (32%), acompanhada por BMW e Yamaha.

Já nos carros, BMW, Toyota e Volkswagen dividem o topo, cada uma com 11%, seguidas por Fiat, Chevrolet e Jeep. As escolhas revelam um equilíbrio entre status e eficiência prática no cotidiano.

Hábitos de fumo e a presença de marcas populares

Embora o imaginário popular associe o ambiente do tráfico ao cigarro, 26% dos entrevistados declararam não fumar. Entre os fumantes, Hollywood (12%) e Derby (8%) são os mais consumidos, acompanhados por marcas como Free, Marlboro, Dunhill e Lucky Strike, todas com presença significativa nas comunidades.

O Raio X da Vida Real mostra que, mesmo dentro de um contexto de ilegalidade, essas pessoas seguem padrões de consumo semelhantes a grande parte da população brasileira.

Suas escolhas traduzem busca por pertencimento, necessidade de praticidade, desejo por status e, sobretudo, a tentativa de compensar a instabilidade de uma rotina marcada pela violência e pela falta de oportunidades.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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