O câncer permanece entre os principais desafios da saúde pública mundial. Em 2025, as estimativas indicam cerca de 20 milhões de novos diagnósticos e mais de 10,3 milhões de mortes associadas à doença, segundo dados do Cancer Progress Report.
Esses números estão relacionados, em grande medida, ao envelhecimento da população global e à manutenção de exposições prolongadas a diversos fatores de risco.
Do ponto de vista médico, o termo câncer abrange mais de uma centena de doenças malignas distintas, todas marcadas pelo crescimento celular desordenado e pela capacidade de invadir tecidos vizinhos ou se disseminar para outros órgãos.
Câncer hereditário
A possível ligação entre a doença e hereditariedade é um tema frequente tanto entre pacientes quanto entre profissionais da área da saúde. Em termos genéticos, uma doença é classificada como hereditária quando alterações no DNA são transmitidas de uma geração para outra, elevando a probabilidade de seu aparecimento ao longo da vida.
No contexto do câncer, isso implica que indivíduos com histórico familiar de determinadas mutações genéticas podem apresentar um risco aumentado de desenvolver certos tipos de tumores, sem que isso represente uma certeza de diagnóstico.
Evidências do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que apenas uma parcela limitada dos casos — estimada em torno de 10% — está diretamente relacionada a fatores hereditários.
Entre os exemplos mais conhecidos estão as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, associadas a maior risco de câncer de mama e ovário. Nessas situações, o que se herda não é a doença propriamente dita, mas uma predisposição biológica que, combinada a fatores ambientais e ao modo de vida, pode favorecer o surgimento da doença.
Fatores e causas
Atualmente, exames genéticos permitem detectar alterações associadas ao aumento do risco de câncer a partir de amostras simples, como sangue ou saliva.
Esses testes são indicados principalmente para indivíduos com histórico familiar relevante ou inseridos em grupos considerados de maior risco, não sendo recomendados como procedimento de rotina para a população em geral.
Para além dos fatores hereditários, o desenvolvimento da doença resulta de uma combinação complexa de elementos biológicos, comportamentais e ambientais.
Essa multiplicidade de causas evidencia a importância de abordagens integradas que priorizem a prevenção, o diagnóstico em estágios iniciais e o acesso a tratamentos adequados.






