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Pequeno país teve aumento acima de 1.000% em casos de HIV

Por Leticia Florenço
07/10/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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HIV - Reprodução/iStock

HIV - Reprodução/iStock

Fiji, um pequeno país do Pacífico Sul com menos de um milhão de habitantes, vive uma escalada inédita nos casos de HIV. Entre 2014 e 2024, o número de pessoas vivendo com o vírus saltou de menos de 500 para cerca de 5,9 mil, um aumento superior a 1.000%.

Para um país tão pequeno, esse crescimento coloca Fiji no centro de uma das epidemias de HIV mais aceleradas do mundo.

Uma das faces mais dramáticas da crise é a idade das vítimas. Crianças e adolescentes estão entre os infectados, com casos registrados até em pessoas de 10 anos.

Muitos desses jovens contraíram HIV por meio do uso de drogas injetáveis e da prática do compartilhamento de seringas, ampliando o risco de contágio em uma faixa etária extremamente vulnerável.

Bluetoothing e práticas de risco

O chamado “bluetoothing” tornou-se uma prática preocupante: consiste em retirar sangue após o uso de drogas e injetá-lo em outra pessoa, formando uma corrente de contágio.

Esse fenômeno, aliado ao chemsex, consumo de drogas antes ou durante relações sexuais, contribui significativamente para a disseminação do vírus, especialmente entre jovens usuários de metanfetamina.

Drogas injetáveis em ascensão

Fiji tornou-se um ponto estratégico no tráfico de metanfetamina, localizada entre grandes produtores e mercados lucrativos como Austrália e Nova Zelândia.

A facilidade de acesso à droga e a falta de programas de distribuição de seringas limpas tornaram o compartilhamento de agulhas e o bluetoothing uma prática comum, com consequências diretas para a transmissão de HIV.

Desafios para a saúde pública

O governo de Fiji declarou a epidemia uma “crise nacional”, e autoridades alertam que os sistemas de saúde estão sobrecarregados. A escassez de profissionais, testes rápidos e medicamentos, além da subnotificação de casos, impede uma resposta eficaz.

Especialistas apontam que a dimensão real do problema pode ser muito maior do que os dados oficiais indicam.

ONGs locais, como a Survivor Advocacy Network e a Drug Free Fiji, têm atuado para educar e apoiar a população vulnerável, distribuindo seringas, preservativos e informações sobre prevenção. A conscientização tem crescido, e práticas de alto risco como o bluetoothing estão perdendo força.

No entanto, a falta de educação sexual ampla e a resistência cultural a programas de redução de danos ainda dificultam o combate à epidemia.

O alerta para o mundo

Especialistas advertem que Fiji enfrenta uma “tempestade perfeita”: uma epidemia crescente de HIV, jovens cada vez mais expostos, drogas injetáveis acessíveis e infraestrutura limitada de saúde.

A situação do país serve de alerta global sobre como epidemias podem evoluir rapidamente em contextos de vulnerabilidade social, consumo de drogas e lacunas na educação e prevenção.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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