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Países emergentes estão entre os maiores produtores de lixo plástico

Por Leticia Florenço
10/08/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Poluição - Reprodução/iStock

Poluição - Reprodução/iStock

A produção global de plástico, especialmente de alguns dos tipos mais comuns utilizados no dia a dia, está concentrada em poucos países, muitos deles considerados emergentes ou com economias em rápido crescimento.

Em 2024, sete países, liderados pela China, Estados Unidos e Arábia Saudita, foram responsáveis por dois terços da produção mundial de quatro polímeros virgens predominantes: Polietileno (PE), Polipropileno (PP), Polietileno tereftalato (PET) e Poliestireno (PS).

Esses materiais são a base para embalagens, garrafas, utensílios descartáveis e inúmeros produtos industriais.

Concentração geográfica da produção de plástico

A China se destaca como líder absoluto na fabricação desses polímeros, respondendo por cerca de 34% da produção global. A dimensão dessa cifra reflete a vasta indústria química e petroquímica do país, que abastece o mercado interno e as cadeias produtivas de várias regiões do mundo.

Em segundo lugar, os Estados Unidos figuram com 13%, enquanto a Arábia Saudita ocupa a terceira posição, impulsionada por sua robusta indústria petroquímica, que utiliza o petróleo e o gás natural como matérias-primas essenciais para a fabricação de plástico.

Além desses três gigantes, a Coreia do Sul, Índia e Japão também estão entre os principais produtores, com participações significativas, reforçando o peso dos países emergentes e asiáticos na dinâmica global da indústria plástica.

A Alemanha é o único país europeu entre os dez maiores produtores, destacando-se com 2% da produção, o que demonstra a forte presença industrial do continente, embora mais pulverizada.

Grandes corporações na cadeia produtiva

A produção de plástico está igualmente concentrada em poucas empresas globais, muitas delas estatais, o que influencia diretamente na dinâmica da oferta e, consequentemente, no impacto ambiental dessa indústria.

Em 2021, apenas 18 empresas foram responsáveis por mais da metade dos polímeros plásticos produzidos no mundo.

O grupo chinês Sinopec lidera a lista, produzindo sozinho cerca de 5,4% do total mundial, seguido pelas petrolíferas norte-americanas ExxonMobil (5%) e LyondellBasell (4,5%), e pelo grupo saudita Saudi Aramco (4,3%).

A PetroChina, também estatal, completa o quinteto com 4,2%. Na Europa, empresas como Ineos (Reino Unido), Borealis (Áustria) e TotalEnergies (França) figuram entre os maiores produtores, mas com participação menor comparada às gigantes asiáticas e americanas.

Essa concentração reflete não apenas a escala de produção, mas também os desafios de regulamentação e controle ambiental, já que o impacto da produção e do descarte do plástico reverbera em escala global.

Impactos ambientais e o desafio dos resíduos plásticos

A produção desenfreada de plástico, especialmente em países com rápida industrialização e urbanização, está diretamente ligada ao crescimento dos resíduos plásticos, que se acumulam em aterros, rios, mares e ecossistemas sensíveis.

No Rio de Janeiro, por exemplo, a poluição aquática causada por resíduos plásticos e esgoto é uma preocupação constante, com imagens emblemáticas do esgoto do complexo lagunar da Barra chegando ao mar pelo canal da Joatinga.

Essa situação ilustra como o problema do lixo plástico ultrapassa fronteiras industriais e econômicas, afetando diretamente a qualidade de vida e a saúde ambiental de comunidades locais.

Tratativas globais para controle da poluição por plástico

Em 2025, durante negociações em Genebra, representantes de 184 países se reuniram para avançar na redação do primeiro tratado mundial com o objetivo de combater a poluição por plásticos.

A elaboração desse tratado considera, entre outros pontos, a necessidade de redução da produção e consumo de plásticos virgens, o incentivo a alternativas mais sustentáveis como o vidro e outros materiais recicláveis, e o desenvolvimento de sistemas eficientes de coleta e reciclagem.

O desafio de reduzir a poluição plástica passa pela ação conjunta entre governos, indústrias e sociedade. Apenas com uma abordagem integrada, que envolva regulação, inovação e conscientização, será possível reverter o impacto negativo dessa indústria e garantir um futuro mais sustentável para o planeta.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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