O Colégio de Fomento Montecastelo, em Vigo, na Galiza, decidiu transformar algo comum dentro das casas em matéria de sala de aula.
Agora, cozinhar, costurar, passar roupa, trocar lâmpadas e até entender etiqueta à mesa fazem parte do currículo obrigatório dos alunos. A iniciativa nasceu do desejo de aproximar a escola da vida real e de promover igualdade entre homens e mulheres a partir da prática.
As disciplinas, chamadas de Home Skills, surgiram após um plano espanhol voltado à paridade de gênero. Em vez de apenas discutir teoria, a escola resolveu adotar a prática como ferramenta educativa.
Para o diretor, José Manuel Rodríguez, ensinar essas habilidades ajuda os jovens a compreender que autonomia é parte fundamental da vida adulta.
A adolescência como ponto de partida
Os alunos escolhidos para participar têm entre 14 e 15 anos, idade que a instituição considera ideal para lidar com tarefas que exigem cuidado e uso de objetos potencialmente perigosos.
Os estudantes mais velhos, focados nos exames de acesso à universidade, ficam dispensados. O objetivo é preparar os mais jovens para um futuro em que não dependam de terceiros para tarefas básicas do cotidiano.
Queda de preconceitos na prática
Quando as aulas começaram, alguns adolescentes riram da ideia de aprender a costurar ou a passar roupa, reforçando estereótipos de que essas tarefas seriam “de meninas”. Mas a resistência durou pouco.
Na cozinha, principalmente, o interesse cresceu, afinal, além de aprender técnicas, eles podem provar os próprios pratos e até levar comida para casa. Para muitos, a experiência se tornou divertida e libertadora. Jaime, de 15 anos, reconhece ser o primeiro homem da família a saber costurar, algo que o enche de orgulho.
Efeitos no cotidiano e nas famílias
Com as aulas, os estudantes passaram a ajudar mais em casa, o que alivia a carga das mães e fortalece a sensação de colaboração doméstica.
A iniciativa também despertou um certo espírito empreendedor: um aluno chegou a dizer que queria cobrar da mãe dois euros cada vez que passasse roupa, arrancando risadas do diretor. Pequenas situações assim mostram como os jovens estão compreendendo o valor do trabalho doméstico.
Debate que ultrapassa os muros da escola
A proposta ganhou destaque nas redes sociais e gerou discussões em toda a Espanha. Muitos defendem que as Home Skills deveriam ser incluídas em todas as escolas do país. Outros acreditam que essas atividades deveriam ser ensinadas exclusivamente pelos pais.
Independentemente da opinião, o Montecastelo conseguiu o que poucas instituições conseguem: fazer a sociedade refletir sobre quais competências realmente preparam alguém para a vida adulta, e se a escola deveria assumir esse papel.






