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Pais ganham controle total sobre contas de crianças no WhatsApp

Por Leticia Florenço
12/03/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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WhatsApp - Reprodução/Agência Brasil

WhatsApp - Reprodução/Agência Brasil

A presença cada vez mais precoce de crianças no ambiente digital tem levado empresas de tecnologia e autoridades a discutirem formas de ampliar a segurança nas plataformas online.

Nesse contexto, a empresa Meta Platforms anunciou um novo sistema de supervisão parental dentro do aplicativo WhatsApp, permitindo que responsáveis tenham controle direto sobre contas utilizadas por menores de 13 anos.

A iniciativa surge em um momento de mudanças nas regras que envolvem o uso da internet por crianças e adolescentes no Brasil.

A medida acompanha a proximidade da entrada em vigor do chamado ECA Digital, conjunto de diretrizes que busca adaptar o Estatuto da Criança e do Adolescente à realidade das plataformas digitais e redes sociais.

Contas supervisionadas passam a ter controle dos responsáveis

A principal novidade do novo sistema é a criação de contas supervisionadas, configuradas diretamente pelos pais ou responsáveis legais. Nesse modelo, o adulto será responsável por iniciar o cadastro da criança no aplicativo, informando dados básicos, como a data de nascimento.

Para garantir que o controle esteja realmente nas mãos de um adulto, o processo também inclui a confirmação de identidade por meio de uma selfie. O objetivo é evitar que menores criem contas sem supervisão ou utilizem informações falsas durante o cadastro.

A funcionalidade será liberada de forma gradual. Segundo a empresa, testes iniciais devem começar nas próximas semanas com alguns usuários, enquanto a expansão completa do recurso está prevista para ocorrer ao longo dos próximos meses.

Conversas com desconhecidos terão restrições

Uma das principais mudanças nas contas infantis envolve a forma como mensagens de pessoas desconhecidas serão tratadas dentro da plataforma. Quando um número que não está salvo tentar iniciar uma conversa, a mensagem não aparecerá diretamente na caixa principal.

Em vez disso, ela será enviada para uma pasta separada. O acesso a esse espaço dependerá de um código PIN definido pelos responsáveis, criando uma camada adicional de proteção contra contatos indesejados ou possíveis tentativas de abordagem por desconhecidos.

Esse mecanismo pretende reduzir riscos associados a golpes, assédio ou interação com estranhos, situações que têm preocupado pais e especialistas em segurança digital.

Entrada em grupos também dependerá de autorização

Outra mudança importante envolve a participação em grupos dentro do aplicativo. No novo modelo de supervisão, crianças não poderão entrar livremente em grupos sem o conhecimento dos responsáveis.

Caso um convite seja enviado, será necessária a aprovação por meio do PIN configurado pelos pais. Da mesma forma, os responsáveis também poderão adicionar diretamente os filhos em determinados grupos, como aqueles voltados para família ou escola.

Essa medida busca evitar que menores sejam incluídos em comunidades desconhecidas ou com conteúdos inadequados.

Recursos populares do aplicativo serão bloqueados

Algumas funções consideradas mais sensíveis ou complexas do aplicativo não estarão disponíveis para contas supervisionadas. Entre os recursos bloqueados está o acesso à assistente de inteligência artificial da empresa, conhecida como Meta AI.

Além disso, menores de 13 anos não poderão utilizar os Canais do aplicativo nem publicar atualizações no Status, funcionalidades que normalmente permitem ampla divulgação de conteúdos para outros usuários.

A ideia é limitar a exposição pública das crianças dentro da plataforma, concentrando o uso principalmente em conversas privadas com contatos autorizados.

Sistema de notificações para pais

Para reforçar o acompanhamento das atividades digitais, o novo sistema também inclui um conjunto de notificações enviadas diretamente aos responsáveis.

Os pais receberão alertas sempre que o filho adicionar, bloquear ou denunciar outro usuário. Notificações também serão enviadas caso ocorra alguma mudança relevante dentro de grupos, como aumento significativo de participantes.

Outro alerta previsto é quando alguém ativa mensagens temporárias, aquelas que desaparecem automaticamente após determinado período, dentro de conversas em que a criança participa.

Esse conjunto de avisos permite que os responsáveis acompanhem a experiência digital dos filhos sem necessariamente acessar todas as conversas.

Mudanças acompanham nova legislação digital

O anúncio acontece poucos dias antes da entrada em vigor de regras relacionadas ao chamado ECA Digital, prevista para 17 de março. As novas diretrizes ampliam a responsabilidade de plataformas online na proteção de crianças e adolescentes.

Entre os pontos discutidos estão mecanismos de verificação de idade, ferramentas de supervisão parental e sistemas mais rigorosos para combater conteúdos prejudiciais ou interações potencialmente perigosas.

Com isso, empresas de tecnologia têm buscado adaptar seus serviços para atender às novas exigências legais e também responder às preocupações de pais e educadores.

Pressão internacional por mais proteção nas redes

O movimento para aumentar a segurança de menores na internet não ocorre apenas no Brasil. Diversos países têm discutido leis mais rígidas para regular o acesso de crianças a redes sociais e aplicativos de mensagens.

Um dos casos mais citados é o da Austrália, onde autoridades adotaram medidas mais severas e chegaram a proibir o acesso de menores a determinadas redes sociais, em uma tentativa de reduzir riscos associados ao uso precoce dessas plataformas.

Essa pressão global tem levado empresas de tecnologia a acelerar o desenvolvimento de ferramentas de controle parental e segurança digital.

Experiência semelhante já existe em outra rede da empresa

A nova funcionalidade no aplicativo de mensagens segue um modelo que já foi aplicado anteriormente em outra plataforma da empresa: o Instagram.

Nesse caso, o sistema de supervisão foi criado para usuários entre 13 e 18 anos e inclui filtros contra conteúdos sensíveis, restrições para transmissões ao vivo e limites na exposição a publicações relacionadas a temas delicados.

Com a expansão do modelo para o aplicativo de mensagens, a empresa busca construir um ecossistema mais seguro para usuários jovens em diferentes serviços digitais.

A criação de contas supervisionadas representa mais um passo na tentativa de equilibrar o acesso de crianças à tecnologia com medidas de proteção adequadas.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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