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País fecha mais de 70 escolas por contaminação perigosa em areia

Por Leticia Florenço
19/11/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Escola - Reprodução/iStock

Escola - Reprodução/iStock

O início da semana foi marcado por uma operação emergencial que paralisou parte do sistema educacional australiano. Mais de 70 escolas amanheceram fechadas após a confirmação de que produtos de areia colorida, amplamente usados por crianças em atividades escolares, estavam contaminados com amianto.

A notícia gerou preocupação imediata entre famílias e autoridades, elevando o nível de alerta sobre a segurança de materiais aparentemente inofensivos dentro do ambiente escolar.

A decisão pelo fechamento não foi apenas preventiva, mas uma resposta direta à gravidade do risco oculto que se espalhava pelas salas de aula sem ser percebido.

Um alerta que se transformou em crise nacional

A contaminação foi descoberta depois que testes laboratoriais identificaram traços de amianto tremolita e crisotila em produtos fornecidos pela empresa Educational Colours.

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A ACCC, comissão responsável por fiscalizar o consumo no país, emitiu um aviso nacional de recolhimento que rapidamente ganhou proporção e desencadeou uma onda de inspeções.

O material contaminado já havia sido distribuído para diversas escolas e pré-escolas, além de estar disponível para compra em grandes redes varejistas.

Varejistas entram em ação e ampliam o alcance da investigação

Assim que o alerta foi emitido, lojas como Kmart e Target anunciaram a retirada de kits de castelo de areia e diferentes versões de areia mágica, em tons de azul, verde e rosa, por risco de exposição ao amianto.

A situação acendeu um sinal vermelho no mercado infantil e expôs uma falha preocupante na cadeia de controle de qualidade. O caso levantou questionamentos sobre como um produto destinado a crianças conseguiu escapar das barreiras regulatórias e circular livremente até chegar às mãos de milhares de pequenos alunos.

Escolas interrompem atividades para limpeza profunda

Na segunda-feira, ao menos 70 escolas do Território da Capital Australiana (ACT) estavam completamente fechadas para avaliação e desinfecção das áreas afetadas. O governo reconheceu que o produto contaminado era amplamente utilizado na rede pública, o que exigiu uma resposta imediata e coordenada.

Uma instituição em Brisbane também suspendeu as atividades após a confirmação do uso da areia suspeita. Equipes especializadas foram mobilizadas para remover resíduos, coletar amostras e garantir que nenhum traço da substância permanecesse nos ambientes frequentados pelas crianças.

Apesar de ser proibido há anos na Austrália e na Nova Zelândia, o amianto continua sendo uma das substâncias mais temidas no campo da saúde pública. Mesmo em pequenas quantidades, suas fibras microscópicas, quando inaladas ou ingeridas, podem causar diferentes tipos de câncer, como o mesotelioma.

A possibilidade de crianças terem manuseado areia contaminada deixou pais em estado de choque e reacendeu debates sobre a vigilância sanitária em produtos importados.

Pais, professores e autoridades exigem respostas

O fechamento das escolas trouxe consigo uma onda de questionamentos e frustrações.

Famílias querem saber como o produto passou pelos sistemas de controle; professores exigem garantias de que poderão retornar às salas com segurança; e autoridades procuram identificar a origem exata da contaminação.

A investigação agora envolve diversas agências, todas empenhadas em entender a extensão real do problema e prevenir novos episódios. O caso australiano adiciona um novo capítulo a essa discussão internacional e reforça que a proteção das crianças precisa estar no centro das regulamentações.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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