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Os efeitos ocultos dos refrigerantes zero que poucos conhecem

Por Leticia Florenço
11/12/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Refrigerante - Reprodução/iStock

Refrigerante - Reprodução/iStock

Os refrigerantes zero surgiram como aliados de quem buscava cortar calorias sem abrir mão do sabor doce. Porém, a ideia de que são bebidas inofensivas já não se sustenta diante das evidências científicas mais recentes.

Pesquisas mostram que, mesmo sem açúcar, essas formulações conseguem alterar o metabolismo, estimular o apetite e favorecer desequilíbrios internos que passam despercebidos no dia a dia.

O alerta da ciência sobre impactos no fígado

Um estudo divulgado durante a Semana Europeia de Gastroenterologia acendeu um sinal vermelho: consumidores frequentes de bebidas adoçadas artificialmente apresentaram risco 60% maior de desenvolver esteatose hepática, o acúmulo de gordura no fígado.

Os pesquisadores explicam que, mesmo sem calorias, os adoçantes podem gerar picos de insulina e glicose, desencadeando reações metabólicas que sobrecarregam o fígado. O resultado é um órgão mais vulnerável, inflamado e com menos capacidade de metabolizar gorduras de forma eficiente.

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Quando o doce engana o paladar e altera o comportamento alimentar

O sabor doce constante cria um ciclo silencioso: o cérebro acredita que está recebendo açúcar e prepara o corpo para metabolizá-lo. Como isso não acontece, ocorre a chamada compensação calórica, a vontade de comer mais surge como forma de “buscar” a energia que não veio.

Nutricionistas destacam que esse processo sabota dietas, aumenta a fome e dificulta a reeducação alimentar, mesmo que a pessoa acredite estar fazendo uma escolha mais saudável.

Adoçantes artificiais

Os refrigerantes zero dependem de adoçantes como aspartame, sucralose, acessulfame e outros. Embora não sejam metabolizados diretamente, eles ativam respostas fisiológicas, alteram a microbiota intestinal e podem interferir na forma como o corpo lida com a glicose.

Em 2023, a OMS classificou o aspartame como possivelmente carcinogênico, recomendando limites diários rígidos. A longo prazo, o acúmulo dessas substâncias pode influenciar processos inflamatórios, digestivos e hormonais.

Impactos além do metabolismo

As versões zero não escapam do pacote de riscos. Por serem ultraprocessadas e ácidas, elas podem desgastar o esmalte dos dentes, favorecer cáries e prejudicar a saúde bucal.

O ácido fosfórico, comum nos refrigerantes de cola, está ligado à redução da densidade óssea, especialmente quando consumido com frequência. Ou seja, não é só o fígado que paga a conta.

Por que refrigerante zero não hidrata nem substitui água

Ao contrário do que muitos imaginam, refrigerantes zero não hidratam adequadamente. A grande presença de aditivos, corantes e compostos químicos faz com que o corpo tenha mais trabalho para processá-los, sem oferecer nenhum benefício nutricional.

Diferentemente da água, que participa de praticamente todas as funções vitais, essas bebidas apenas ocupam espaço e, muitas vezes, substituem líquidos ou alimentos mais saudáveis.

Especialistas alertam que o consumo constante de sabores extremamente doces, mesmo sem calorias, mantém o paladar treinado para buscar esse padrão. Isso cria dificuldade em apreciar opções menos açucaradas e atrapalha quem tenta reduzir doces.

O corpo entra num ciclo de expectativa energética que nunca é suprida, o que estimula ainda mais a busca por guloseimas.

Há saída? Sim

Quem busca abandonar os refrigerantes zero deve fazer isso gradualmente. A diminuição do estímulo doce, acompanhada de substituições saudáveis, ajuda a “desacostumar” o corpo e recuperar a sensibilidade natural ao sabor dos alimentos.

Bebidas naturais, como água de coco, chá gelado ou águas saborizadas, oferecem alternativas mais leves e amigáveis ao organismo.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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