Um novo estudo de grande porte revelou que jornadas de trabalho com escalas extensas e horários alternados podem prejudicar significativamente um órgão vital do corpo humano: os rins.
A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Sun Yat-sen, na China, acompanhou mais de 226 mil pessoas por 14 anos e trouxe à tona um risco crescente de formação de pedras nos rins entre trabalhadores submetidos a turnos irregulares.
Órgão pode ser afetado por causa de grande escalas de trabalho
A nefrolitíase, nome técnico para os cálculos renais, foi identificada com maior frequência entre profissionais que atuam fora do horário comercial tradicional.
De acordo com os dados, quem trabalha frequentemente à noite ou em escalas alternadas tem até 22% mais chances de desenvolver a condição no órgão.
Esses números preocupam especialistas, uma vez que os cálculos renais estão associados não só à dor intensa e à recorrência frequente, mas também a complicações mais graves, como insuficiência renal e doenças cardiovasculares.
Os rins, responsáveis por filtrar o sangue, equilibrar eletrólitos e eliminar resíduos pela urina, funcionam em sintonia com o ritmo biológico natural do corpo, conhecido como ciclo circadiano.
Quando esse ritmo é constantemente interrompido por jornadas irregulares ou longas, como ocorre em setores como saúde, segurança e transporte, o funcionamento do órgão sofre impactos diretos.
A produção do hormônio antidiurético, que regula a concentração de urina, é alterada, favorecendo o acúmulo de cristais nos túbulos renais, o primeiro passo para a formação das temidas pedras.
Além disso, o trabalho em horários não convencionais costuma vir acompanhado de hábitos nocivos, como sono de má qualidade, sedentarismo, alimentação desequilibrada e baixa ingestão de líquidos. Esses fatores, segundo os pesquisadores, amplificam ainda mais os danos aos rins.
Saúde do órgão pode ser preservada com atitudes simples
A boa notícia é que há formas eficazes de reduzir o risco. Manter-se bem hidratado ao longo do dia é uma das principais estratégias. O ideal é consumir entre 2,5 e 3 litros de líquidos por dia.
Estabelecer uma rotina de sono estável, evitar o excesso de sal e proteínas animais, praticar exercícios físicos regularmente e reduzir o consumo de bebidas adoçadas ou energéticas também ajudam a preservar a saúde renal.
Diante das evidências, especialistas defendem que empregadores e autoridades de saúde considerem as escalas de trabalho como um fator de risco ocupacional para doenças renais, reforçando a importância de políticas de prevenção adaptadas à realidade de quem vive em regime de turnos.





