O consumo de opioides analgésicos no Brasil e na América do Sul tem apresentado crescimento significativo nas últimas duas décadas, conforme destaca o relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), com base em dados da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE).
Entre 2002 e 2021, o consumo na região quase triplicou, passando de 6.239 para 16.824 S-DDDpm (doses diárias para propósitos estatísticos por milhão de habitantes). O Brasil, em 2021, foi o quinto maior consumidor do continente, com 704 S-DDDpm, refletindo uma tendência global que mostrou aumento de 250% no consumo mundial entre 2000 e 2014.
Opioides no Brasil
- Prevalência e dependência: A dependência de opioides no Brasil é considerada baixa: 0,1% da população entre 12 e 65 anos (cerca de 208 mil pessoas), segundo levantamento de 2015.Ainda assim, há necessidade de indicadores mais eficazes para monitoramento.
- Consumo e acesso: Dados da Anvisa (2011–2015) apontam crescimento no consumo de opioides prescritos.O acesso, no entanto, segue abaixo do ideal em comparação com países com melhores políticas de controle da dor.
- Apreensões e riscos: Apreensões de opioides sintéticos, como o fentanil, têm aumentado.Casos notáveis: 990 frascos apreendidos em SP (2009) e operação com prisões em 2019 por desvio de medicamentos.
- Regulação e controle: O Brasil possui regras rígidas: opioides estão nas listas A1 e A2 da Portaria nº 344/1998.A prescrição requer receita amarela e só pode ser feita por profissionais autorizados.
- Desafios e recomendações É preciso aprimorar o sistema de controle para acompanhar o aumento do consumo.O equilíbrio entre acesso terapêutico e prevenção ao uso indevido é essencial.
O cenário exige atenção redobrada, com ênfase no monitoramento constante, na qualificação de profissionais de saúde e no aprimoramento das ações de fiscalização. A experiência de outros países, como os Estados Unidos, demonstra que apenas com medidas preventivas eficazes e controle rigoroso é possível assegurar o uso responsável dos opioides, preservando o acesso adequado aos pacientes que realmente necessitam desses medicamentos para o alívio da dor.





