Se você cresceu no Brasil entre as décadas de 1980 e 2000, é quase certo que já almoçou em um prato marrom da Duralex. A marca francesa, criada em 1945, caiu no gosto dos brasileiros e se tornou sinônimo de resistência, funcionalidade e durabilidade.
Estava em refeitórios escolares, em lanchonetes de bairro e até nos almoços de domingo em família. Por ser quase inquebrável, tornou-se uma escolha natural para ambientes com uso intenso e rotineiro.
O segredo da fama da Duralex estava na técnica de fabricação, o vidro era aquecido a 600°C e resfriado rapidamente, tornando-o temperado. Isso conferia ao material uma resistência superior, tanto ao calor quanto a impactos.
Ao contrário do vidro comum, que estilhaça em grandes pedaços cortantes, os itens da Duralex quebravam em pequenos fragmentos pouco perigosos, o que os tornava também mais seguros.
Da França para o Brasil
Nos anos 1980, a brasileira Santa Marina passou a fabricar localmente a linha Duralex, especialmente a icônica série âmbar, aquele marrom translúcido que hoje remete a nostalgia pura.
A produção nacional aumentou ainda mais a popularidade da marca, com produtos acessíveis, duráveis e práticos, que podiam ir da chama do fogão à geladeira sem medo de trincar.
A linha âmbar, a mais amada pelos brasileiros, foi descontinuada em 2012, já sob a gestão da Nadir Figueiredo, que adquiriu a operação da Santa Marina em 2011.
Com isso, os produtos clássicos começaram a sumir das prateleiras, sendo lentamente substituídos por modelos mais modernos, geralmente em vidro transparente ou azul. Embora a marca nunca tenha deixado de operar no Brasil, a mudança no portfólio marcou o fim de uma era.
Crises na França, independência no Brasil
Enquanto a matriz francesa da Duralex enfrentava sérias dificuldades financeiras, com pedidos de recuperação judicial em 2008 e novamente em 2020, a operação brasileira seguia firme.
A separação entre as duas realidades ficou mais evidente com a venda da Duralex França para a International Cookware, em 2021. No Brasil, sob o comando da Nadir, a produção local seguiu estável, mas sem a icônica linha âmbar.
O renascimento como artigo de luxo retrô
Com a escassez dos produtos antigos, nasceu um fenômeno curioso: os pratos e copos que antes custavam poucos reais agora aparecem em sites de venda usados por até R$ 400.
O que era símbolo de simplicidade virou objeto de desejo para colecionadores e entusiastas do estilo retrô. Influenciadores de decoração, nostálgicos e jovens em busca de autenticidade alimentam esse novo mercado.
A nova cara da Duralex
Hoje, a marca ainda existe, e continua produzindo no Brasil, com modelos atualizados. As peças, em tons transparentes ou azulados, mantêm a tradição do vidro temperado, mas dialogam com uma estética mais moderna.
Mesmo com o rebranding da Nadir Figueiredo, que agora se apresenta apenas como “Nadir”, a herança da Duralex ainda vive, especialmente na memória afetiva dos consumidores.




