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Onde caiu o meteoro que matou os dinossauros? Cratera vai te impressionar

Por Leticia Florenço
06/04/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Meteoro - Reprodução/iStock

Meteoro - Reprodução/iStock

Poucos eventos na história do planeta foram tão decisivos quanto o impacto que ocorreu há aproximadamente 66 milhões de anos, no fim do período Cretáceo.

Um asteroide colossal atingiu a Terra e provocou uma das maiores extinções em massa já registradas, encerrando o domínio dos dinossauros não aviários e redefinindo completamente a evolução da vida.

Esse acontecimento marca a transição entre dois grandes períodos geológicos e ficou conhecido como a extinção do Evento de Extinção Cretáceo-Paleógeno. O impacto foi tão intenso que alterou o clima global, bloqueou a luz solar e desencadeou uma reação em cadeia que devastou ecossistemas inteiros.

O ponto exato onde tudo aconteceu permaneceu oculto por milhões de anos

Durante muito tempo, cientistas sabiam que um asteroide havia causado essa catástrofe, mas não sabiam onde ele havia caído. A resposta estava escondida sob camadas de rochas, sedimentos e água no que hoje é a região da Península de Yucatán, no território do México.

Ali se encontra a impressionante Cratera de Cratera de Chicxulub, uma formação subterrânea com cerca de 200 quilômetros de diâmetro. Apesar de seu tamanho colossal, ela não pode ser vista diretamente da superfície, pois ficou soterrada ao longo de milhões de anos.

A descoberta que nasceu da busca por petróleo

A identificação dessa cratera não aconteceu em uma expedição científica planejada para encontrar vestígios do impacto. Pelo contrário, ela surgiu quase por acaso durante pesquisas geológicas voltadas à exploração de petróleo.

Geofísicos perceberam estruturas circulares perfeitas, variações magnéticas incomuns e anomalias gravitacionais difíceis de explicar. Ao cruzar os dados, surgiu uma imagem surpreendente, uma formação em forma de anel gigantesco enterrada sob a crosta terrestre.

O que parecia apenas uma anomalia geológica revelou-se uma das maiores cicatrizes de impacto já encontradas no planeta.

O instante em que o céu caiu sobre a Terra

Quando o asteroide atingiu a Terra, ele liberou uma energia equivalente a bilhões de bombas nucleares. O impacto gerou uma onda de choque que percorreu o planeta, vaporizou rochas na área de colisão e lançou enormes quantidades de poeira e aerossóis na atmosfera.

O resultado foi um bloqueio quase total da luz solar, provocando um resfriamento global abrupto. Sem luz suficiente para a fotossíntese, plantas morreram em massa, colapsando cadeias alimentares inteiras. Esse cenário ficou conhecido como “inverno de impacto”.

A consequência foi devastadora: cerca de 75% das espécies desapareceram, incluindo dinossauros, pterossauros e grandes répteis marinhos.

Uma cratera invisível aos olhos humanos

Apesar de sua dimensão gigantesca, a Cratera de Chicxulub permaneceu escondida por milhões de anos por uma combinação de fatores naturais.

A região sofreu intensas mudanças geológicas, com o acúmulo de sedimentos, alterações no nível do mar e atividade tectônica que deformou completamente a paisagem original. Com isso, a estrutura do impacto foi gradualmente enterrada até desaparecer da superfície.

O resultado foi uma cratera gigantesca, preservada no subsolo como um registro silencioso de uma catástrofe global.

O laboratório subterrâneo criado pelo próprio impacto

Após o choque, a região não ficou apenas destruída. Pesquisas indicam que o calor extremo gerado pelo impacto criou um sistema hidrotermal subterrâneo ativo por milhares de anos.

Nesse ambiente, água quente circulava por fraturas nas rochas, criando condições químicas únicas. Alguns cientistas acreditam que esse tipo de sistema pode ter favorecido reações importantes para o surgimento ou manutenção de formas primitivas de vida microbiana.

Assim, o mesmo evento que causou destruição global também pode ter criado ambientes propícios à vida em escala microscópica.

A assinatura química deixada pelo visitante espacial

A origem do asteroide foi desvendada por meio de análises químicas extremamente precisas. Camadas geológicas associadas ao impacto apresentam concentrações anômalas de elementos raros, como irídio e rutênio.

O mais importante foi estudar as variações isotópicas do rutênio, que funcionam como uma espécie de “código de barras” cósmico. Esses dados mostraram que o objeto não se formou próximo ao Sol, mas sim nas regiões externas do Sistema Solar.

Ele pertence ao grupo dos asteroides ricos em carbono, conhecidos por terem composição primitiva e pouco alterada desde a formação do sistema planetário.

A jornada silenciosa do asteroide antes do impacto

Antes de colidir com a Terra, o asteroide provavelmente passou por uma longa trajetória invisível e estável por milhões de anos. Ele pode ter sido deslocado de sua órbita original por interações gravitacionais com planetas gigantes, especialmente Júpiter.

Esse tipo de alteração orbital é raro, mas suficiente para transformar um corpo inofensivo em uma ameaça planetária. Uma vez em rota de colisão, não havia mais como evitar o encontro com a Terra.

O mundo que nasceu depois da destruição

Embora o impacto tenha sido um evento catastrófico, ele também abriu espaço para uma nova era na história da vida. Com o desaparecimento dos grandes dinossauros dominantes, outros grupos de animais puderam se diversificar e ocupar nichos ecológicos antes inacessíveis.

Os mamíferos foram um dos grupos que mais se beneficiaram desse novo cenário, evoluindo ao longo de milhões de anos até dar origem a uma enorme diversidade de espécies.

Assim, a Cratera de Chicxulub não representa apenas o fim de um mundo antigo, mas também o início das condições que tornaram possível o mundo como conhecemos hoje.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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