Tsunamis são grandes ondas oceânicas geradas por abalos sísmicos, erupções vulcânicas ou deslizamentos de terra submarinos. Embora geralmente associados ao Pacífico, esses fenômenos podem ocorrer em qualquer oceano, inclusive no Atlântico.
E, segundo estudos recentes, um desses eventos raros teria atingido a costa nordestina do Brasil em 1755, como consequência do terremoto devastador que abalou Lisboa, em Portugal.
O que aconteceu com o Nordeste após tsunami no Brasil?
De acordo com pesquisadores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e de outras instituições brasileiras, um tsunami de baixa magnitude chegou ao litoral nordestino em 1º de novembro de 1755, poucas horas após o sismo que destruiu grande parte da capital portuguesa.
O tremor, estimado em 8,7 graus na escala Richter, também afetou regiões da Espanha e do Marrocos e provocou ondas gigantes que atravessaram o oceano.
No Brasil, os efeitos foram sentidos especialmente entre o Rio Grande do Norte e o sul de Pernambuco.
Documentos históricos da época relatam a presença de ondas anormais que invadiram a terra firme, destruíram casas modestas e causaram a morte de pelo menos duas pessoas.
As informações estão registradas em quatro cartas oficiais enviadas por autoridades coloniais, incluindo governadores e o arcebispo da Bahia, ao governo português.
Esses relatos detalham que as águas ultrapassaram seus limites naturais, levando pânico à população ribeirinha e costeira.
Evidências físicas do tsunami no Brasil foram encontradas
Além das fontes escritas, evidências físicas do fenômeno foram identificadas em regiões como Lucena e Tamandaré, na Paraíba e em Pernambuco.
Pesquisadores localizaram camadas de areia grossa e resíduos marinhos típicos de águas profundas, depositados em áreas que normalmente não seriam alcançadas por marés comuns.
Essas descobertas sustentam a hipótese de que um tsunami de pequena escala realmente atingiu o litoral brasileiro naquela ocasião.
Modelos matemáticos e simulações modernas indicam que as ondas teriam alcançado entre 1,7 e 1,9 metros de altura, penetrando até quatro quilômetros terra adentro em algumas regiões, especialmente próximas a rios e estuários.
Apesar de ter sido um evento moderado se comparado a desastres como o tsunami do Japão em 2011, o episódio de 1755 marca um raro registro de atividade sísmica oceânica com impacto direto no território brasileiro, e um alerta para o potencial, ainda que remoto, de novas ocorrências no futuro.





