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O que acontece com o corpo de quem come ovo todos os dias, segundo especialistas

Por Leticia Florenço
30/05/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Ovo - Reprodução/iStock

Ovo - Reprodução/iStock

Durante muito tempo, o ovo foi tratado como um dos grandes inimigos da alimentação saudável. A presença de colesterol na gema fez com que milhões de pessoas evitassem consumir o alimento diariamente por medo de desenvolver problemas cardiovasculares.

Porém, nas últimas décadas, diversos estudos passaram a contestar essa ideia e mudaram a forma como especialistas enxergam o ovo.

Hoje, nutricionistas e médicos afirmam que o consumo moderado pode trazer benefícios importantes para o organismo. Rico em proteínas, vitaminas e minerais, o ovo passou a ser considerado um alimento extremamente completo e acessível.

O mais surpreendente é que, quando inserido em uma rotina equilibrada, ele pode contribuir para o funcionamento do cérebro, fortalecimento muscular, imunidade e até controle do peso.

A proteína que ajuda o corpo a se fortalecer

Uma das principais vantagens do consumo diário de ovos está na grande quantidade de proteína de alta qualidade presente no alimento. O ovo fornece aminoácidos essenciais que o organismo não consegue produzir sozinho e que são fundamentais para diversas funções do corpo.

Essas proteínas ajudam na recuperação muscular, participam da regeneração celular e auxiliam na manutenção dos tecidos. Por isso, o alimento é muito consumido por pessoas que praticam exercícios físicos, idosos e indivíduos que desejam preservar a massa muscular ao longo dos anos.

Além disso, o corpo consegue aproveitar muito bem os nutrientes presentes no ovo, o que faz dele uma das fontes proteicas mais eficientes da alimentação.

A sensação de fome muda ao longo do dia

Especialistas explicam que o ovo possui uma capacidade elevada de promover saciedade. Quem costuma consumir ovos no café da manhã, por exemplo, tende a sentir menos fome nas horas seguintes.

Isso acontece porque as proteínas presentes no alimento tornam a digestão mais lenta e ajudam a estabilizar os níveis de açúcar no sangue. Como consequência, o organismo sofre menos picos de fome repentina, reduzindo o desejo por alimentos ultraprocessados e lanches calóricos.

Esse efeito faz com que o ovo seja frequentemente incluído em dietas voltadas para emagrecimento e controle alimentar.

O cérebro também sente os efeitos

Pouca gente sabe, mas o ovo contém colina, um nutriente essencial para o funcionamento adequado do cérebro. Essa substância participa da produção de neurotransmissores ligados à memória, aprendizado e concentração.

Estudos indicam que a colina pode ajudar na preservação das funções cognitivas e no desenvolvimento cerebral, especialmente em crianças e idosos. Além disso, vitaminas do complexo B presentes no alimento também colaboram para o equilíbrio do sistema nervoso.

Por isso, o consumo regular de ovos pode beneficiar não apenas o corpo, mas também o desempenho mental.

A imunidade pode ficar mais resistente

O ovo também fornece nutrientes importantes para o fortalecimento do sistema imunológico. Entre eles estão vitamina D, vitamina A, zinco, selênio e ferro.

Esses componentes ajudam o organismo a manter suas células de defesa funcionando adequadamente e contribuem para o combate de infecções e inflamações. O selênio, por exemplo, possui ação antioxidante, protegendo as células contra danos causados pelos radicais livres.

Já a vitamina D tem participação importante na resposta imunológica do organismo, sendo considerada essencial para a manutenção da saúde.

A aparência da pele e do cabelo pode melhorar

Quem consome ovos regularmente também pode perceber mudanças na pele, nas unhas e nos cabelos. Isso ocorre porque o alimento contém biotina e proteínas fundamentais para a produção de queratina.

A queratina é uma proteína responsável pela estrutura dos fios de cabelo e das unhas. Quando o organismo recebe nutrientes adequados, os fios tendem a ficar mais fortes e as unhas menos quebradiças.

Além disso, antioxidantes presentes na gema ajudam a combater o envelhecimento celular, contribuindo para a manutenção da saúde da pele.

O colesterol do ovo já não assusta como antes

Durante décadas, acreditava-se que o colesterol presente na gema aumentava diretamente os níveis de colesterol no sangue. Hoje, muitos especialistas afirmam que essa relação não é tão simples.

Pesquisas mostram que, para a maioria das pessoas saudáveis, o colesterol presente em alimentos naturais exerce pouca influência sobre o colesterol sanguíneo. O verdadeiro problema costuma estar associado ao excesso de ultraprocessados, gorduras trans, sedentarismo e alimentação desequilibrada.

Isso não significa que o ovo deva ser consumido sem limites, mas indica que ele deixou de ser visto como o grande vilão da saúde cardiovascular.

O excesso continua sendo perigoso

Apesar dos benefícios, exagerar na quantidade de ovos consumidos diariamente não é recomendado. O excesso de proteínas pode sobrecarregar os rins, especialmente em pessoas predispostas a problemas renais.

Além disso, consumir muitos ovos ao longo do dia aumenta a ingestão calórica e de gordura saturada, o que pode favorecer ganho de peso e alterações nos níveis de colesterol.

Especialistas também investigam a relação entre o consumo excessivo do alimento e a produção de TMAO, substância associada a doenças cardiovasculares. Por isso, equilíbrio continua sendo a principal recomendação.

O consumo cru ainda representa riscos

Embora algumas pessoas consumam ovo cru em vitaminas e receitas caseiras, especialistas alertam que essa prática pode ser perigosa por causa do risco de contaminação por Salmonella.

Essa bactéria pode causar infecções intestinais sérias, provocando sintomas como vômitos, febre, dores abdominais e diarreia intensa. Por isso, o ideal é que o ovo seja sempre bem cozido ou preparado corretamente antes do consumo.

Quando consumido com moderação e preparado de maneira saudável, ele pode trazer benefícios importantes para músculos, cérebro, imunidade, controle da fome e saúde geral do organismo.

A grande conclusão dos especialistas é que o problema não está no ovo em si, mas nos exageros e nos hábitos alimentares desequilibrados que muitas vezes acompanham o consumo.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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