Depois de ações como a taxação do aço brasileiro e a implementação de tarifas de 50% sobre produtos importados do país, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou ainda mais preocupação ao anunciar que daria início a uma série de investigações internacionais que englobariam até o Pix, o sistema instantâneo de pagamentos criado pelo Banco Central.
Isso porque o republicano enquadrou a modalidade como uma das supostas “práticas desleais em relação a serviços de pagamentos eletrônicos”, uma vez que poderia prejudicar a competitividade de empresas norte-americanas envolvidas nestes setores.
Vale destacar que, atualmente, o Pix já é utilizado por quase 160 milhões de brasileiros, entre pessoas físicas e jurídicas. Por isso, a descontinuação do sistema poderia gerar um impacto significativo na economia nacional.
Contudo, em entrevista ao portal A Gazeta, o economista Felipe Storch Damasceno esclareceu que, apesar da abertura das investigações, Trump não pode acabar com o Pix, uma vez que se trata de uma infraestrutura nacional desenvolvida, regulada e operada pelo BC, e portanto, opera sob total soberania nacional.
Dessa forma, o presidente dos EUA não possui competência legal para interferir no sistema, garantindo que o funcionamento da modalidade de pagamentos permaneça inalterado.
Atitudes de Trump podem afetar o Pix em outros aspectos
Embora as investigações internacionais não tenham o poder de interromper o funcionamento do Pix, as atitudes de Donald Trump ainda podem gerar outros impactos sobre o sistema.
Também em entrevista à A Gazeta, o advogado Sandro Câmara destacou que a investigação pode afetar a expansão internacional da modalidade, abrindo caminho para diferentes tipos de retaliações.
Além disso, Felipe Storch ainda reforçou o argumento, esclarecendo que o Pix é visto como uma “ameaça a hegemonia de soluções americanas”, atingindo interesses estratégicos no setor tecnológico e na infraestrutura financeira global, mesmo sem prejudicar a economia dos EUA.






