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O gato que descobriu dois vírus inéditos

Por João Carlos Gomes
21/07/2025
Em Ciência
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Foto: Antonino Visalli/Unsplash

Foto: Antonino Visalli/Unsplash

Por conta de suas habilidades notáveis em diversas áreas, como resolução de problemas, aprendizado e comunicação, os gatos são considerados animais extremamente inteligentes. Mas Pepper, o bichano de estimação do virologista John Lednicky, da Universidade da Flórida, superou as expectativas.

Isso porque ele desempenhou um papel essencial para que seu dono conseguisse descobrir dois vírus que, até então, eram desconhecidos pela ciência, por conta de suas habilidades de caça.

Entre 2024 e 2025, Pepper trouxe roedores mortos para Lednicky, que decidiu investigar os animais para verificar se eles portavam o vírus da varíola do veado-mudo (deerpox virus), o qual ele ainda está pesquisando.

Contudo, o virologista acabou encontrando os microorganismos inéditos, que por sua vez influenciaram novos estudos. E vale destacar que, mesmo após ter contato com os vírus, Pepper continua bem de saúde.

Jeilongvirus: a primeira descoberta de Pepper

Durante um dia quente de maio em Gainesville, na Flórida, Pepper entregou a Lednicky um rato morto, que o virologista decidiu submeter à investigação no intuito de verificar se o roedor portava o vírus da varíola do cervo-mula, conforme citado anteriormente.

Com isso, Lednicky acabou encontrando um jeilongvirus, que já foi observado na África, Ásia, Europa e América do Sul, e pertence à família de patógenos capaz de infectar répteis, pássaros, peixes e mamíferos, chegando a ocasionalmente causar doenças graves em humanos.

Porém, o vírus “descoberto” pelo gato apresentava uma estrutura genética totalmente diferente, desenvolvendo melhor especificamente em células de roedores, humanos e primatas não humanos (macacos).

Orthoreovirus: nova variedade de microorganismo descoberta pelo gato

Em suas caçadas mais recentes, Pepper conseguiu capturar um musaranho-de-cauda-curta de Everglades (Blarina peninsulae), que logo foi levado por Lednicky ao laboratório para também ser analisado.

E assim como no caso anterior, o virologista identificou que o roedor carregava uma cepa de orthoreovirus inédita para a ciência, que pertence à família Reoviridae, que engloba agentes capazes de infectar diversos mamíferos, como humanos, cariaçu, morcegos, entre outros.

Portanto, graças aos esforços do gato, mais uma vez foi possível iniciar estudos em sorologia e em imunologia para entender o nível de ameaça que estes vírus podem representar para seres humanos e animais.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
João Carlos Gomes

João Carlos Gomes

Jornalista formado pelo Centro Universitário Carioca, criador de conteúdo e músico independente nas horas vagas.

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