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O efeito que o café provoca no intestino e no cérebro que a maioria das pessoas desconhece

Por Leticia Florenço
30/05/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Café - Reprodução/iStock

Café - Reprodução/iStock

O café, uma das bebidas mais consumidas do planeta, vai muito além do simples efeito de “acordar” pela manhã. Pesquisas recentes estão mostrando que sua ação é mais complexa do que se imaginava, envolvendo não apenas o cérebro, mas também o intestino e toda a rede de comunicação entre esses dois sistemas.

Um estudo conduzido pelo centro de pesquisas APC Microbiome Ireland, da University College Cork, publicado na revista científica Nature Communications, trouxe novas evidências sobre essa relação.

O eixo intestino-cérebro e sua importância

O chamado eixo intestino-cérebro é uma via de comunicação constante entre o sistema digestivo e o sistema nervoso central. Essa conexão ocorre por meio de sinais químicos, hormonais e também pela ação direta da microbiota intestinal, o conjunto de trilhões de microrganismos que vivem no intestino humano.

Esses microrganismos não apenas ajudam na digestão, mas também influenciam o humor, o comportamento e até funções cognitivas como memória e atenção.

Como o estudo foi realizado

A pesquisa analisou 62 participantes, divididos entre consumidores habituais de café e pessoas que não tinham o hábito de consumir a bebida. Os consumidores regulares ingeriam entre três e cinco xícaras por dia.

Inicialmente, todos ficaram duas semanas sem café, período em que passaram por avaliações psicológicas e coleta de amostras biológicas, como fezes e urina.

Em seguida, foi realizado um experimento duplo-cego, no qual parte dos participantes recebeu café com cafeína e outra parte recebeu café descafeinado, sem saber qual estava consumindo.

O impacto do café no humor e no estresse

Os resultados mostraram que tanto o café com cafeína quanto o descafeinado foram capazes de reduzir os níveis de estresse percebido, além de diminuir sintomas associados à depressão e à impulsividade.

Isso indica que os efeitos positivos do café no bem-estar emocional não dependem exclusivamente da cafeína, mas também de outros compostos presentes na bebida.

Alterações na microbiota intestinal

Um dos achados mais importantes do estudo foi a mudança na composição das bactérias intestinais após o consumo de café.

Foram observados aumentos de microrganismos como Eggertella sp e Cryptobacterium curtum, que estão ligados a funções importantes da digestão, como produção de ácido gástrico, síntese de ácidos biliares e proteção contra bactérias prejudiciais.

Além disso, houve crescimento de bactérias do grupo Firmicutes, associadas em alguns estudos a emoções positivas, especialmente em mulheres.

Efeitos específicos da cafeína e do café descafeinado

O café com cafeína apresentou efeitos mais intensos em relação ao estado de alerta, atenção e redução da ansiedade. Já o café descafeinado mostrou resultados surpreendentes em áreas como aprendizagem e memória, sugerindo que compostos como os polifenóis podem ter papel importante no funcionamento cognitivo.

O papel dos compostos bioativos do café

O café contém uma grande variedade de substâncias bioativas, como polifenóis e ácidos clorogênicos, que exercem ação antioxidante e anti-inflamatória no organismo.

Esses compostos podem influenciar diretamente a microbiota intestinal, favorecendo o crescimento de bactérias benéficas e ajudando a regular processos metabólicos e inflamatórios.

A relação entre café, inflamação e cérebro

Outro ponto relevante é a possível ligação entre o consumo de café e a redução de processos inflamatórios no corpo. A inflamação crônica está associada a condições como ansiedade, depressão e doenças neurodegenerativas.

Ao modular a microbiota intestinal, o café pode contribuir para um ambiente biológico mais equilibrado, com reflexos positivos no cérebro e na saúde mental.

As descobertas científicas recentes revelam que o café possui uma atuação complexa e integrada no organismo humano. Ao interagir com o intestino e o cérebro simultaneamente, ele participa de processos que envolvem humor, atenção, memória e equilíbrio emocional.

Embora ainda sejam necessários mais estudos, os resultados já indicam que cada xícara de café pode ter impactos na saúde de quem o consome diariamente.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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