O debate sobre a tributação das fintechs em Brasília criou um novo cenário para o Nubank. No centro das discussões, o CEO David Vélez rebateu críticas e explicou que sua instituição financeira já é uma das que mais paga impostos no país.
Em meio ao avanço de um projeto de lei que aumenta a carga tributária sobre empresas de tecnologia financeira, surgiu uma declaração que chamou a atenção do mercado: a possibilidade de o Nubank comprar um banco tradicional para obter uma licença bancária completa no Brasil.
Uma resolução recente do Banco Central estabeleceu que qualquer empresa que tenha “banco” no nome deve necessariamente ser um banco de fato. O Nubank, que sempre operou como instituição financeira autorizada, agora precisa se adequar a essa nova exigência.
Neste contexto, Vélez afirmou que tanto solicitar uma licença do zero quanto adquirir uma instituição já existente são caminhos possíveis e que a empresa está estudando ambos.
O embate sobre a tributação das fintechs
Segundo Vélez, a discussão pública sobre impostos está distorcida. Ele argumenta que as fintechs, ao contrário dos bancos tradicionais, não acumulam décadas de créditos tributários, prejuízos compensáveis e outros mecanismos que reduzem drasticamente a taxa efetiva de impostos.
Por isso, afirma que o Nubank pagou em 2025 cerca de R$ 8,2 bilhões em tributos, com uma carga efetiva de 32%, muito acima da média dos grandes bancos, que gira em torno de 12%. Para ele, a comparação deve ser feita com base na carga efetiva real e não apenas nas alíquotas nominais.
O avanço do projeto de lei que aumenta a CSLL
O PL aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado prevê aumentos graduais da CSLL para fintechs: de 9% para 12% em 2026 e depois 15% em 2028. Para fintechs que já pagam 15%, a alíquota subiria para 17,5% em 2026 e 20% a partir de 2028.
Vélez afirma que essa elevação pode prejudicar a competição e sugeriu que o governo adote uma taxa efetiva mínima de 17,5% para todas as instituições financeiras, o que evitaria disparidades entre bancos antigos e empresas mais novas.
A possibilidade estratégica de comprar um banco
A ideia de adquirir um banco tradicional representa uma mudança importante na trajetória do Nubank. Além de cumprir a exigência regulatória, uma compra permitiria acesso a estruturas já consolidadas, possíveis créditos tributários e maior flexibilidade para expandir produtos de crédito e serviços bancários completos.
Seria também um movimento que aproximaria o Nubank das condições operacionais e fiscais que favorecem grandes bancos, algo que o CEO considera essencial para nivelar a competição.
O impacto econômico e a presença ampliada no sistema financeiro
Em 12 anos de atuação, o Nubank afirma ter incluído mais de 110 milhões de pessoas no sistema financeiro brasileiro, ampliando o acesso ao crédito e modernizando a experiência bancária.
Segundo Vélez, o Nubank ajudou a impulsionar a concorrência e a reduzir custos para o consumidor, o que, na visão dele, deveria ser levado em conta no debate sobre taxação.
O terceiro trimestre de 2025 marcou o maior lucro da história do Nubank, com US$ 782,7 milhões, um avanço de 39% sobre o mesmo período do ano anterior. Esse desempenho reforça a solidez financeira da empresa e dá margem para investimentos mais ousados, incluindo a potencial aquisição de um banco.
Com o aumento da pressão fiscal e regulatória, o Nubank se vê diante de uma encruzilhada estratégica. A decisão que vier a ser tomada deve redefinir o equilíbrio do setor e marcar um novo capítulo na história das fintechs no Brasil.





