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Nubank causa revolta após demitir 12 pessoas depois de reunião sobre fim do home office

Por Leticia Florenço
10/11/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Nubank - Reprodução

Nubank - Reprodução

O que começou como um evento interno rotulado como “coffee break com o CEO” rapidamente se transformou na maior crise recente da cultura corporativa do Nubank.

A reunião inesperada reuniu cerca de 7 mil funcionários de um total de 9,5 mil, e tinha como objetivo apresentar as novas diretrizes de trabalho da empresa, que envolvem a redução gradativa do home office.

O que ninguém imaginava é que, menos de 24 horas depois desse encontro, 12 trabalhadores seriam desligados. O episódio gerou indignação entre colaboradores e acendeu o alerta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.

A mudança no modelo de trabalho e o fim da flexibilidade

Durante o evento, a liderança da fintech anunciou a transição para um novo modelo de trabalho híbrido. A proposta determina que, até 1º de julho de 2026, todos os funcionários precisem trabalhar presencialmente dois dias por semana.

Depois, a partir de 1º de janeiro de 2027, a presença no escritório passa a ser obrigatória três dias por semana. A decisão representa uma ruptura em relação ao sistema atual, no qual os colaboradores só precisam comparecer ao escritório por uma semana inteira a cada trimestre.

Para muitas pessoas, essa mudança significa reorganizar completamente a vida, custos extras, deslocamento diário, logística familiar e até possível mudança de cidade.

Demissões após a reunião e relatos de represálias

No dia seguinte ao encontro, 12 trabalhadores foram desligados. Segundo denúncias, alguns deles teriam se manifestado de forma crítica durante a reunião com o CEO David Vélez, questionando o novo formato de trabalho.

O Sindicato recebeu relatos de que essas demissões não pareceram coincidência, mas sim represálias. A percepção de injustiça se fortaleceu quando os relatos dos demitidos divergiram das justificativas apresentadas pela empresa.

Para o Sindicato, houve uma quebra de confiança: o espaço que supostamente estaria aberto ao diálogo teria sido usado como base para identificar e retaliar opositores.

O Sindicato exige respostas e suspensão das demissões

A presidenta do Sindicato, Neiva Ribeiro, afirmou que a entidade pediu imediatamente esclarecimentos ao Nubank e a suspensão das demissões para que se pudesse investigar o ocorrido de forma transparente.

A pergunta que surge é direta e incômoda: funcionários foram incentivados a se manifestar, e depois punidos por isso? O Sindicato lembra ainda que, na manhã anterior ao evento interno, o Nubank havia se comprometido a manter diálogo contínuo sobre o processo de transição para o trabalho híbrido.

O que ocorreu em seguida, para a entidade, é a primeira quebra de um acordo que nem chegou a completar 24 horas.

O choque entre discurso moderno e práticas tradicionais

Desde sua fundação, o Nubank construiu uma imagem pautada em inovação, horizontalidade e cultura organizacional leve. Nas redes sociais e em campanhas institucionais, a empresa se apresenta como um ambiente aberto, que valoriza autonomia, liberdade e confiança.

Porém, o episódio das demissões trouxe à tona um contraste: a impressão de que, na prática, a empresa pode estar adotando métodos de gestão rígidos e pouco transparentes.

Para muitos funcionários, houve uma ruptura na narrativa. Se expressar opinião em um encontro corporativo pode custar o emprego, não existe diálogo, existe controle.

Após a repercussão das demissões, o clima entre colaboradores passou de desconforto para apreensão. O medo de se manifestar virou pauta em conversas internas, grupos de mensagens e relatos anônimos ao Sindicato.

Muitos afirmam sentir insegurança e sensação de vigilância. Um encontro que deveria abrir espaço para o debate acabou produzindo o efeito inverso: silêncio e autocensura. A pergunta que circula entre equipes é simples e direta: “Se hoje foram 12, quem será amanhã?”

Próximos passos e mobilização dos trabalhadores

O Sindicato anunciou que realizará uma reunião virtual com trabalhadores nos próximos dias, com objetivo de coletar depoimentos e estruturar possíveis medidas legais e trabalhistas.

Um canal de denúncias já está disponível no site da entidade para que qualquer funcionário relate situações de abuso, pressão ou retaliação. A mobilização tende a crescer nas próximas semanas, sobretudo entre funcionários que se sentem desprotegidos e não querem que o caso seja abafado.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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