A nova geração de medicamentos anticâncer, conhecidos como ADCs (anticorpos conjugados à droga), tem mostrado resultados surpreendentes no combate ao câncer de mama HER2 positivo em estágio inicial.
Com eficácia próxima à cura e menor toxicidade, essas terapias podem, no futuro, substituir a quimioterapia tradicional em muitos casos.
No congresso ESMO 2025, em Berlim, dois estudos de fase 3 destacaram os ADCs como uma abordagem inovadora. O DESTINY-Breast11 e o DESTINY-Breast05 revelaram dados que indicam avanços significativos no tratamento desse subtipo agressivo de câncer.
DESTINY-Breast11
Iniciado em 2021, o estudo envolveu 927 pacientes com câncer HER2 positivo. O tratamento neoadjuvante, que busca reduzir o tamanho do tumor antes da cirurgia, comparou a combinação T-DXd com quimioterapia à quimioterapia convencional e ao uso isolado de T-DXd.
O grupo que recebeu a combinação apresentou quase 70% de resposta patológica completa, enquanto o grupo convencional atingiu 56%. Para especialistas, isso indica resultados próximos à cura em muitos pacientes.
Menor toxicidade e efeitos colaterais
Além da eficácia superior, o tratamento com T-DXd mostrou menos efeitos adversos, incluindo menor incidência de toxicidade cardíaca, náuseas e perda de cabelo.
Apenas 40% dos pacientes relataram efeitos severos, comparado a 56% no grupo de quimioterapia tradicional. Casos graves, como doença pulmonar intersticial, foram raros, e mortes relacionadas foram extremamente incomuns.
DESTINY-Breast05
O estudo DESTINY-Breast05 avaliou 1.600 pacientes de alto risco após tratamento padrão e cirurgia, comparando T-DXd com T-DM1.
A nova geração de ADC reduziu em 53% o risco de recorrência da doença invasiva ou morte e mostrou eficácia em proteger o cérebro contra metástases, um passo importante para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Embora a doença pulmonar intersticial tenha sido mais frequente com T-DXd (9,6% versus 1,6% com T-DM1), a maioria dos casos foi leve e reversível, reforçando que os efeitos adversos podem ser monitorados e tratados de forma eficaz.
ADCs
Os ADCs combinam um anticorpo monoclonal com um quimioterápico, conectados por um linker químico. O anticorpo funciona como um GPS, levando a droga diretamente à célula cancerosa e poupando tecidos saudáveis.
Na analogia clássica, agem como um cavalo de Troia, infiltrando o câncer de maneira precisa e silenciosa.
Uma mudança na oncologia
Esta nova geração de ADCs representa um marco no tratamento do câncer de mama HER2 positivo, oferecendo eficácia superior, menor toxicidade e potencial para se tornar a primeira escolha para pacientes com doença em estágio inicial.
Especialistas afirmam que esses avanços aproximam a medicina da cura da maioria dos casos, transformando um subtipo historicamente agressivo em uma condição com esperança real de superação.






