A osteoartrite é reconhecida globalmente como uma das principais responsáveis por dor crônica e restrição de movimentos do joelho, e os tratamentos atualmente disponíveis focam, em grande parte, no controle dos sintomas, sendo a substituição cirúrgica das articulações necessária em casos mais avançados.
Recentemente, um estudo publicado na revista Science trouxe uma perspectiva promissora ao demonstrar uma estratégia capaz de estimular a regeneração da cartilagem articular envelhecida do joelho. A pesquisa, conduzida por Mamta Singla e sua equipe, analisou a proteína 15-PGDH, uma enzima cuja concentração aumenta com o envelhecimento e que está intimamente ligada ao declínio funcional dos tecidos articulares.
Regeneração do joelho
Os pesquisadores identificaram que a proteína 15-PGDH contribui para a perda de colágeno, inflamação e desgaste da cartilagem. Ao inibir sua atividade com uma pequena molécula, foi possível reverter esses efeitos em animais idosos.
Notavelmente, a regeneração ocorreu sem células-tronco, com os condrócitos sendo reprogramados para um perfil mais jovem, produzindo cartilagem hialina mais resistente e funcional, enquanto a formação de fibrocartilagem foi reduzida.
O tratamento também foi testado em lesões articulares semelhantes à ruptura do ligamento cruzado anterior, promovendo menor inflamação, maior mobilidade e redução significativa do risco de osteoartrite, indicando efeitos preventivos e regenerativos, especialmente para indivíduos ativos. Além disso, em cartilagem humana retirada durante cirurgias, o bloqueio da 15-PGDH iniciou a regeneração e reduziu marcadores de degradação, demonstrando potencial clínico promissor.
Avanços
Embora ainda em estágio experimental, os resultados indicam que injeções locais ou terapias orais capazes de inibir a 15-PGDH têm potencial para adiar ou até substituir cirurgias de substituição articular nos joelhos. Ensaios clínicos iniciais realizados em outras condições relacionadas ao envelhecimento já demonstraram a segurança da abordagem.
Essa descoberta representa um avanço significativo na medicina regenerativa, abrindo caminho para tratamentos que vão além do alívio dos sintomas, permitindo a recuperação de danos estruturais e a manutenção da função articular ao longo do tempo.





