Uma pesquisa divulgada na revista Addictive Behaviors avaliou 4.280 díades formadas por adolescentes de 12 a 17 anos e seus responsáveis, com informações coletadas entre 2023 e 2024 em quatro municípios do interior paulista.
O estudo aplicou análise de classes latentes, método estatístico que permite identificar padrões combinados de consumo de substâncias, incluindo álcool, episódios de binge drinking, cigarro, maconha e cigarros eletrônicos, tanto em pais quanto em filhos.
Relação do ambiente com riscos pros jovens
Perfis de consumo identificados:
- Abstinentes ou de baixo consumo
- Usuários principalmente de álcool
- Poliusuários (uso combinado de várias substâncias)
Impacto do consumo dos pais:
- Pais abstinentes: ~89% dos adolescentes também não consomem drogas
- Pais poliusuários: risco cerca de 3 vezes maior de filhos se tornarem poliusuários
- Mais da metade dos adolescentes de famílias de alto risco permanece abstinente, mostrando que a transmissão não é automática
Efeito dos estilos parentais:
- Autoritativo (diálogo, supervisão, regras claras e afeto) = maior efeito de proteção, reduzindo risco de uso pesado mesmo em filhos de pais poliusuários
- Autoritário = algum efeito protetor contra poliuso, mas aumenta risco de transmissão específica do consumo de álcool
- Permissivo e negligente = não apresentaram efeitos consistentes de proteção
Os pesquisadores destacam que, mesmo com estilos parentais protetores, o consumo de álcool pelos pais continua associado ao uso pelos filhos, possivelmente devido à legalidade, disponibilidade e aceitação social da bebida.
Impacto dos comportamentos
Do ponto de vista da saúde pública, o estudo mostra que comportamentos saudáveis podem se transmitir entre gerações e que estilos parentais estruturados, com presença, afeto, limites claros e supervisão, reduzem o risco de poliuso entre adolescentes.
A pesquisa reforça a importância de programas de prevenção envolvendo famílias, que fortaleçam habilidades parentais, promovam diálogo, regras consistentes e orientação sobre o consumo de álcool e drogas.
Os resultados indicam que o exemplo dos pais aliado à qualidade da relação familiar é fundamental para entender padrões de uso e subsidiar políticas públicas mais eficazes de prevenção na adolescência.






