O crescimento acelerado do número de satélites em órbita baixa da Terra vem despertando alertas entre astrônomos, que apontam riscos significativos para a realização de observações científicas e para a obtenção de imagens espaciais precisas.
Entre 2019 e o presente, a quantidade desses satélites saltou de cerca de 2 mil para 15 mil, e projeções indicam que, caso todos os lançamentos planejados sejam efetivados, o total poderá chegar a aproximadamente 560 mil unidades até 2040, conforme estudo publicado na revista Nature.
Clareza dos telescópios
Pesquisas da Nasa apontam que o aumento de satélites em órbita baixa representa ameaça significativa a telescópios espaciais, afetando imagens e dados científicos. Simulações envolvendo quatro telescópios, como SPHEREx, ARRAKIHS e Xuntian, mostram que reflexos de luz de satélites podem comprometer até 96% das observações. Mesmo o Hubble, com campo de visão menor, teria cerca de um terço das imagens alteradas, enquanto o James Webb, a 1,5 milhão de km da Terra, não seria impactado.
Satélites de grandes dimensões dificultam a distinção entre asteroides e objetos em movimento. Projetos futuros preveem satélites com mais de 3.000 m², brilhando como planetas visíveis a olho nu. Atualmente, Starlink detém cerca de três quartos dos satélites em órbita, mas estima-se que em 20 anos sua participação caia para 10%, refletindo a expansão e a crescente competição no setor espacial.
Como conciliar?
Para mitigar os impactos na observação astronômica, algumas estratégias incluem restringir o número de lançamentos e posicionar os satélites em altitudes inferiores às dos telescópios. Contudo, a primeira medida mostra-se pouco viável diante da crescente demanda por conectividade e dados para inteligência artificial, enquanto a segunda apresenta riscos à camada de ozônio.
Além disso, os cientistas recomendam que as empresas responsáveis pelos satélites compartilhem informações detalhadas sobre a localização, orientação e características visuais de cada objeto em órbita. Esses dados possibilitariam aos operadores de telescópios planejar observações com maior precisão, minimizando interferências e preservando a qualidade das pesquisas astronômicas.





