O programa japonês de assistência social Seikatsu Hogo, muitas vezes comparado ao Bolsa Família brasileiro, voltou a chamar atenção em 2025, especialmente por seu impacto sobre os brasileiros que vivem no país.
O Seikatsu Hogo é o programa oficial de assistência social do governo japonês, administrado pelo Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar.
Seu objetivo é garantir uma vida minimamente digna para pessoas que não conseguem se sustentar por conta própria, seja devido à idade avançada, doença, deficiência ou desemprego.
Diferente de programas temporários, ele funciona como uma rede contínua de proteção social.
Quem tem direito?
Para receber o benefício, é necessário:
- Ter residência legal no Japão;
- Comprovar baixa renda ou ausência de recursos próprios;
- Demonstrar que não há familiares capazes de prestar apoio;
- Apresentar impossibilidade de inserção no mercado de trabalho por idade ou enfermidade.
Estrangeiros podem receber?
Sim. A legislação japonesa permite que estrangeiros elegíveis acessem o Seikatsu Hogo. Contudo, em muitos municípios, a burocracia ou a resistência local dificulta o processo, alimentando a percepção equivocada de que apenas cidadãos japoneses têm direito ao auxílio.
Durante as eleições parlamentares de julho de 2025, conservadores usaram o programa como argumento eleitoral, alegando que 33% dos beneficiários eram estrangeiros.
Esse dado, amplamente compartilhado nas redes sociais, não corresponde à realidade: em 2023, apenas 2,9% das 1,65 milhão de famílias beneficiárias eram estrangeiras. A discrepância revela o impacto da desinformação na percepção pública.
Quem são os mais afetados?
Os grupos mais vulneráveis incluem:
- Zainichi: Descendentes de coreanos imigrantes antes da Segunda Guerra Mundial, muitos sem acesso à previdência;
- Brasileiros e peruanos: Frequentemente trabalhadores que perderam a capacidade de sustento após aposentadoria ou acidente;
- Idosos isolados: Sem redes familiares ou sociais suficientes para apoio.
Para brasileiros e outros imigrantes, o benefício é um alívio essencial, mas o debate sobre xenofobia, burocracia e desinformação continua urgente.





