Uma nova pesquisa sobre o desenvolvimento do cérebro chamou a atenção por redefinir o período da adolescência. O trabalho mostra que o órgão passa por ciclos bem marcados ao longo da vida e que a fase considerada adolescente dura muito mais do que se imaginava.
Por muito tempo, o senso comum fixou o fim da adolescência aos 18 anos. Mesmo entre especialistas, a ideia de que ela se estendia até os 24 parecia consolidada. A análise divulgada agora muda esse cenário e amplia a discussão sobre maturidade e saúde mental.
Nova idade para fim da adolescência deixa todos impressionados
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e publicado na revista científica Nature Communications. A equipe avaliou exames de ressonância magnética de 3.802 pessoas entre recém-nascidos e adultos de 90 anos.
Com a técnica de difusão, que acompanha o movimento da água pelos tecidos, os cientistas conseguiram observar como as conexões neurais evoluem e se reorganizam ao longo da vida.
A partir dessa análise, eles identificaram cinco grandes épocas que marcam o funcionamento do cérebro.
Segundo os autores, a infância é dominada por um processo intenso de construção e poda de sinapses, que prepara o cérebro para tarefas mais complexas. Por volta dos 9 anos, ocorre a primeira grande virada.
A arquitetura neural passa a operar de maneira mais integrada e, ao mesmo tempo, mais vulnerável, o que acompanha o início de mudanças cognitivas e emocionais típicas do começo da adolescência.
Nova idade para fim da adolescência impressiona
A surpresa maior aparece no ponto seguinte da curva. A pesquisa indica que a adolescência não termina antes dos 20 e nem mesmo dos 25 anos.
Na verdade, o período se estende até aproximadamente os 32. Até essa idade, a substância branca continua a se aperfeiçoar, fortalecendo rotas de comunicação entre regiões cerebrais.
Essa fase é marcada por ganhos de eficiência nas redes neurais, o que influencia o desempenho intelectual e a formação de padrões de comportamento. Para os pesquisadores, essa é a etapa com as transformações mais intensas de toda a vida adulta.
O que vem depois dos 32 é uma longa fase de estabilidade. As conexões se tornam mais estáveis e a organização geral do cérebro muda pouco ao longo de três décadas.
A partir dos 66 anos surgem sinais de envelhecimento precoce da estrutura. Aos 83, esse processo se acentua e o cérebro passa a depender mais de circuitos locais do que da conectividade ampla observada em fases anteriores.
Os achados deixaram especialistas intrigados. Para muitos profissionais, a nova definição de adolescência exige rever como se interpretam certos comportamentos adultos e como se planejam ações de saúde.
A pesquisa abre caminho para estudos que relacionem essas transições estruturais a doenças neurológicas e transtornos mentais que surgem em idades específicas.






