Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) identificaram três novas espécies de insetos aquáticos em áreas da Mata Atlântica localizadas nos estados de Minas Gerais e Santa Catarina.
Uma das espécies, chamada Americabaetis puri, foi encontrada dentro do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, uma importante unidade de conservação situada na região da Serra da Mantiqueira.
A descoberta amplia o conhecimento científico sobre a biodiversidade brasileira e reforça a importância das áreas protegidas para a preservação de espécies ainda desconhecidas pela ciência.
Insetos que vivem quase toda a vida dentro da água
As novas espécies pertencem à ordem Ephemeroptera, um grupo de insetos conhecido por apresentar um ciclo de vida bastante peculiar. Durante a maior parte de sua existência, esses organismos permanecem em ambientes aquáticos, vivendo em riachos, nascentes e cachoeiras de águas limpas e bem oxigenadas.
Quando chegam à fase adulta, emergem da água apenas para se reproduzir. Nesse estágio final da vida, não se alimentam e sobrevivem por um período extremamente curto, que pode variar de algumas horas a poucos dias.
Origem do nome remete à curta duração da vida adulta
A denominação científica da ordem desses insetos está ligada justamente à brevidade dessa fase final do ciclo de vida. O termo deriva das palavras gregas “ephemeros”, que significa algo passageiro ou de curta duração, e “pteron”, que significa asa.
Assim, o nome faz referência aos insetos alados cuja existência adulta é extremamente breve, marcada principalmente pelo processo de reprodução.
Homenagens culturais e científicas nos nomes das espécies
A espécie encontrada em Minas Gerais recebeu o nome Americabaetis puri, em homenagem aos povos indígenas Puri, que historicamente habitaram a região da Serra do Brigadeiro.
Já Americabaetis anapes foi batizada em reconhecimento à pesquisadora Ana Maria Pes, cientista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. A terceira espécie identificada, Americabaetis urubici, faz referência ao município de Urubici, em Santa Catarina, local onde os exemplares foram coletados.
Esses nomes ajudam a registrar, na própria classificação científica, aspectos culturais, geográficos e acadêmicos relacionados à descoberta.
Expedição científica ocorreu em área montanhosa do parque
De acordo com o pesquisador Igor Ferreira Amaral, a coleta da espécie mineira ocorreu em um ponto bastante desafiador do parque, na trilha que leva até a Pedra do Pato, localizada a cerca de 1.600 metros de altitude.
Antes de chegar ao topo da formação rochosa, existe uma área conhecida como Piscinas da Pedra do Pato, onde uma cachoeira forma pequenos ambientes aquáticos.
Esses locais apresentam variações no volume de água ao longo das estações do ano, criando condições ideais para a presença de diferentes espécies de insetos aquáticos.
Trabalho científico envolveu pesquisadores brasileiros
O estudo foi conduzido pelos pesquisadores Igor Ferreira Amaral, Iâmara Pereira dos Santos e pelo professor Frederico Falcão Salles, todos ligados à Universidade Federal de Viçosa.
As coletas ocorreram em três municípios brasileiros: Araponga, em Minas Gerais, além de São Joaquim e Urubici, ambos em Santa Catarina. A pesquisa demonstra o papel fundamental das universidades públicas brasileiras na ampliação do conhecimento científico sobre a fauna do país.
Descoberta reforça importância da conservação ambiental
Segundo Luiz Henrique de Mattos Lopes, gerente do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, a identificação de novas espécies dentro de uma unidade de conservação é um forte indicativo de que os ecossistemas locais estão em equilíbrio.
A presença dessas espécies demonstra que os processos evolutivos continuam ocorrendo naturalmente e que o ambiente mantém condições adequadas para sustentar a diversidade de organismos.
Parque é considerado um refúgio de biodiversidade
O Parque Estadual da Serra do Brigadeiro é administrado pelo Instituto Estadual de Florestas e ocupa uma área estratégica no extremo norte da Serra da Mantiqueira.
A região abriga diversas nascentes que contribuem para a formação de importantes bacias hidrográficas brasileiras, como as do Rio Doce e do Rio Paraíba do Sul. O parque reúne ambientes de Floresta Atlântica de Encosta e Campos de Altitude, o que favorece a presença de uma grande variedade de espécies de fauna e flora.





