O aquecimento global resultante das mudanças climáticas tem causado impactos diretos e preocupantes na saúde do cérebro. Estudos recentes mostram que ondas de calor e variações abruptas de temperatura pioram o quadro de diversas doenças neurológicas, como epilepsia, AVC, esclerose múltipla, demência e enxaqueca.
O cérebro, órgão com alto consumo energético, gera calor interno durante suas funções. Para seu funcionamento adequado, é fundamental que a temperatura cerebral seja rigorosamente regulada pelo corpo, especialmente pela circulação sanguínea, que elimina o calor excessivo. Contudo, o aumento da temperatura ambiente prejudica esse mecanismo de termorregulação, podendo resultar em disfunções cognitivas, emocionais e motoras.
Calor no cérebro
Durante ondas de calor intenso, aumentam internações e mortes entre pessoas com doenças neurológicas crônicas. Na Europa, cerca de 7% das mortes extras nessas ocasiões estão ligadas a problemas neurológicos. A exposição prolongada ao calor também prejudica o sono e altera o humor, fatores que podem desencadear crises em pacientes com epilepsia.
O calor agrava ainda os casos e a mortalidade por acidente vascular cerebral (AVC). Uma análise global relaciona dias mais quentes a mais de 10 mil mortes anuais por AVC, com países de baixa e média renda sendo os mais afetados, evidenciando desigualdades de saúde agravadas pelo aquecimento global.
Além dos adultos, o neurodesenvolvimento infantil sofre com o aumento das temperaturas, que estão associadas a um crescimento de 26% nos partos prematuros — condição ligada a prejuízos cognitivos e atrasos no desenvolvimento neurológico.
Outro risco importante é o aumento da permeabilidade da barreira hematoencefálica causado pelo calor, o que facilita a entrada de toxinas e agentes infecciosos no cérebro. O aquecimento global também favorece a proliferação de mosquitos transmissores de doenças neurológicas, como Zika, chikungunya e dengue, ampliando os riscos para a saúde pública.
Estratégias
Especialistas destacam que a resposta ao calor depende de fatores genéticos e das particularidades de cada condição neurológica, sendo que muitos aspectos sobre os efeitos do calor no cérebro ainda precisam ser melhor compreendidos.
Nesse contexto, é fundamental elaborar estratégias eficazes de prevenção e proteção para os grupos mais vulneráveis, assim como ampliar os investimentos em pesquisas que aprofundem o entendimento dos impactos das mudanças climáticas na saúde neurológica.






