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Neurocientista talvez consiga guardar memórias de um falecido

Por Yasmin Henrique
12/05/2025
Em Mais Tendências, Colunas
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Viagens espaciais deixam marcas no cérebro mesmo após retorno

(Foto: reprodução/Freepik)

As memórias humanas são construídas de forma fragmentada e dinâmica, o que dificulta enormemente sua recuperação, especialmente após a morte. Em vez de serem armazenadas de maneira exata, elas são constantemente reconstruídas a partir de pedaços de experiências e informações passadas.

Segundo Don Arnold, neurocientista da Universidade do Sul da Califórnia, recuperar fragmentos de memórias seria algo teoricamente possível, embora envolva uma complexidade enorme. Para que isso ocorra, seria essencial compreender com precisão como os neurônios ligados às lembranças se organizam e se comunicam entre si.

Memórias dos falecidos

Estudos realizados com camundongos já identificaram engramas — marcas biológicas deixadas pelas memórias —, incluindo células relacionadas a experiências de medo. No entanto, aplicar esse conhecimento ao cérebro humano permanece um grande obstáculo.

A ideia de acessar lembranças específicas esbarra na complexidade da estrutura cerebral, onde elas estão distribuídas em diversas áreas e interligadas por circuitos intricados. Essa dispersão torna extremamente difícil localizar com precisão os registros de uma lembrança e reproduzi-los de forma fiel.

Desafios

O hipocampo tem um papel essencial na formação e consolidação das lembranças de curto e longo prazo. Já outras regiões cerebrais, como o lobo parietal e o córtex sensorial, são responsáveis por registrar aspectos emocionais e sensoriais das experiências vividas. Além disso, há outros pontos a serem considerados:

  • Memórias são dinâmicas: Elas não são registros fixos, mas sim construções mentais que mudam com o tempo e com novas experiências.
  • Mapeamento completo do cérebro: Mesmo que fosse possível, não garantiria a recuperação exata das lembranças devido à sua natureza interpretativa.
  • Monitoramento ao longo da vida: Seria necessário acompanhar o funcionamento cerebral de uma pessoa desde o início da vida para tentar recriar alguma memória com precisão — algo atualmente inviável.
  • Memórias não são arquivos: Ao contrário de dados digitais, elas são influenciadas por emoções e percepções, tornando sua recuperação mais complexa.
  • Limitação atual: Até que a ciência avance significativamente, as memórias seguem se perdendo com a morte, enquanto objetos físicos permanecem como vestígios da existência de alguém
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Yasmin Henrique

Yasmin Henrique

Jornalismo na federal de Alagoas. Paulista de nascença, moro há mais de uma década no estado nordestino. Desde pequena fascinada pelo mundo da leitura e da escrita.

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