Novidade vinda da NASA? Lançado em 1990, o Telescópio Espacial Hubble tornou-se um dos instrumentos científicos mais importantes já construídos. Operando acima da atmosfera terrestre, ele permitiu observações extremamente precisas do universo profundo, revolucionando a cosmologia moderna.
Suas imagens ajudaram a confirmar a aceleração da expansão do universo, fortalecer a teoria da energia escura e refinar a idade do cosmos para cerca de 13,8 bilhões de anos.
Ao longo de mais de três décadas, o Hubble não apenas produziu dados científicos valiosos, mas também aproximou o público da astronomia com registros visuais icônicos.
Missões de manutenção que garantiram sua longevidade
A vida útil extraordinária do Hubble só foi possível graças às missões de manutenção realizadas por astronautas durante a era dos ônibus espaciais da NASA.
Esses voos permitiram a troca de equipamentos, correção de falhas técnicas e até o aumento da altitude orbital do telescópio, reduzindo o impacto do arrasto atmosférico.
No entanto, com o encerramento do programa dos ônibus espaciais, essa estratégia deixou de existir, e o plano original de uma desativação controlada foi abandonado por limitações técnicas e orçamentárias.
A órbita em declínio e o começo do fim
Sem a possibilidade de novos impulsos orbitais, o Hubble passou a sofrer um lento, porém constante, declínio de sua órbita. Mesmo em grandes altitudes, partículas raras da atmosfera exercem resistência suficiente para reduzir gradualmente sua velocidade.
Um estudo técnico recente, encomendado pela NASA, modelou esse processo e apontou que a reentrada na atmosfera é inevitável. O cenário mais provável indica que isso ocorrerá por volta de 2033, embora simulações mais pessimistas sugiram que a queda possa acontecer já em 2029.
O que acontece durante uma reentrada descontrolada
Diferentemente de pequenos satélites, o Hubble é uma estrutura grande e robusta, construída com materiais capazes de resistir a temperaturas extremas. Por isso, os cientistas acreditam que nem todos os seus componentes serão completamente destruídos durante a reentrada.
Fragmentos podem sobreviver e atingir o solo, espalhando-se ao longo de uma faixa estimada entre 350 e 800 quilômetros, dependendo do ângulo e da velocidade da descida.
O risco para pessoas no solo
O ponto mais sensível do relatório da NASA está na avaliação do risco à vida humana. Embora a probabilidade seja considerada baixa, ela não é desprezível. O risco médio global de que destroços causem vítimas foi calculado em 1 para 330.
Em regiões remotas do Pacífico Sul, esse número cai drasticamente, mas em áreas densamente povoadas da Ásia, como Hong Kong, Macau ou Singapura, o estudo projeta a possibilidade de uma a quatro vítimas fatais, caso os fragmentos atinjam essas regiões.
Um cenário fora dos padrões de segurança da NASA
Segundo os próprios autores do estudo, o nível de risco estimado é significativamente superior ao limite aceito pela agência espacial, que estabelece um máximo de 1 para 10.000 quando há possibilidade de impacto sobre o público.
Por esse motivo, o relatório classifica a situação como tecnicamente inaceitável pelos padrões atuais da NASA, mesmo reconhecendo que a chance de um evento grave ainda é pequena.
Por que não há plano de desvio imediato
Apesar das conclusões preocupantes, o estudo não propõe uma missão imediata para controlar ou desviar a queda do Hubble.
Em vez disso, recomenda o aprimoramento das previsões por meio de modelos mais precisos da atividade solar, fator que influencia diretamente o arrasto atmosférico, além de análises atualizadas da densidade populacional global para a década de 2030.
Essas informações seriam essenciais para refinar as estimativas de risco conforme a reentrada se aproxima.






