Uma visualização científica divulgada pela NASA despertou curiosidade ao mostrar o planeta com um formato que lembra uma batata.
A imagem não representa a forma física real da Terra, mas sim uma representação do campo gravitacional do planeta. Os dados utilizados foram coletados pelo satélite GRACE satellite mission, que mede pequenas variações na gravidade ao redor do globo.
Como os satélites detectam variações na gravidade
O satélite GRACE foi projetado para observar mudanças minúsculas na força gravitacional da Terra. Essas alterações acontecem porque a distribuição de massa no planeta não é uniforme. Montanhas, bacias oceânicas, placas tectônicas e diferenças na densidade das rochas influenciam a gravidade local.
Por meio dessas medições, os cientistas conseguiram construir um mapa detalhado que mostra onde a gravidade é ligeiramente mais forte ou mais fraca.
O que é o geoide e por que ele é importante
A imagem que parece mostrar a Terra deformada representa, na verdade, o chamado geoide. Esse termo define a superfície que corresponde ao nível médio dos oceanos quando influenciado apenas pela gravidade e pela rotação do planeta.
O geoide funciona como uma referência fundamental para estudos geodésicos e para compreender como a água dos oceanos se distribui ao redor da Terra.
A aparência irregular da imagem acontece porque os cientistas exageraram as variações verticais do geoide para torná-las visíveis. Na prática, as diferenças reais são extremamente pequenas.
A variação total da superfície representada no mapa é inferior a 200 metros. Quando comparada ao raio médio da Terra, de cerca de 6.395 quilômetros, essa diferença é praticamente imperceptível.
Onde a gravidade da Terra é mais forte ou mais fraca
O mapa mostra áreas com diferentes intensidades gravitacionais ao redor do planeta. Regiões próximas ao Oceano Índico apresentam valores mais baixos, enquanto partes da Europa central e do Atlântico Norte possuem gravidade ligeiramente mais alta.
Essas variações refletem diferenças na densidade das rochas e na estrutura interna do planeta.
Processos que moldam o campo gravitacional
Grande parte das irregularidades no campo gravitacional da Terra tem origem em processos que acontecem muito abaixo da superfície. A movimentação das placas tectônicas e a subducção, quando uma placa mergulha sob outra, alteram a distribuição de massa no interior do planeta.
Esses fenômenos criam pequenas mudanças na gravidade que podem ser detectadas por satélites.
Mapas gravitacionais como o produzido com dados do GRACE ajudam pesquisadores a estudar o interior da Terra e monitorar fenômenos globais. Eles são usados em pesquisas sobre mudanças climáticas, variações no nível do mar e dinâmica geológica.
Essas medições também contribuem para aprimorar sistemas de navegação por satélite e modelos científicos do planeta.





