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NASA escuta barulho estranho nunca ouvido antes na história

Por Leticia Florenço
16/09/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Nasa - Reprodução/Jessie Hodge | flickr | creative commons

Nasa - Reprodução/Jessie Hodge | flickr | creative commons

A NASA e astrônomos de todo o mundo captaram um som que nunca havia sido registrado na história: o eco de um buraco negro sendo lançado pelo espaço após se fundir com outro. Esse registro inédito, resultado de um estudo sobre ondas gravitacionais, marca um momento histórico na exploração do universo.

O fenômeno, batizado de GW190412, aconteceu há 2,4 bilhões de anos. Ele envolveu dois buracos negros com massas muito diferentes, um com aproximadamente 30 vezes a massa do Sol e outro com pouco mais de 8. Essa desigualdade criou uma fusão desequilibrada, que não distribuiu a energia uniformemente.

O resultado foi um “recuo natal”, um impulso cósmico que lançou o buraco negro recém-formado a velocidades superiores a 50 km/s (equivalente a 180 mil km/h). Velocidade suficiente para expulsá-lo até mesmo de aglomerados estelares.

Ondas gravitacionais

O feito só foi possível graças à tecnologia de detecção de ondas gravitacionais, pequenas distorções no espaço-tempo geradas por eventos massivos. Os dados vieram de três observatórios de ponta: LIGO (EUA), Virgo (Itália) e KAGRA (Japão).

Pela primeira vez, os cientistas não só mediram a velocidade do buraco negro após a fusão, mas também determinaram a direção do seu movimento, reconstruindo a trajetória em três dimensões a bilhões de anos-luz de distância.

Uma nova era para a astronomia

Segundo o astrofísico Koustav Chandra, da Universidade Estadual da Pensilvânia: “Estamos reconstruindo a movimentação em 3D de um objeto a bilhões de anos-luz de distância apenas a partir de ondas gravitacionais.”

Esse avanço promete revolucionar a forma como entendemos o universo, abrindo caminho para:

  • Mapear com precisão ambientes onde buracos negros se formam;
  • Procurar sinais luminosos associados a fusões de buracos negros;
  • Investigar como forças gravitacionais moldam galáxias e aglomerados estelares.

Do passado ao presente

O evento que gerou o som registrado ocorreu há 2,4 bilhões de anos, quando a vida na Terra ainda engatinhava em formas microscópicas. Hoje, a humanidade consegue ouvir o eco desse acontecimento, um lembrete da grandiosidade e da força misteriosa do cosmos.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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