A mistura de ciência e cultura nem sempre é algo que vem à mente quando pensamos em exploração espacial. Contudo, a história do samba brasileiro “Coisinha do Pai” tocando em Marte para “acordar” um rover da NASA prova que a música pode atravessar fronteiras e planetas, unindo sentimentos humanos ao avanço tecnológico.
Em 4 de julho de 1997, o rover Sojourner pousava pela primeira vez em Marte como parte da missão Mars Pathfinder. Com apenas 65 cm de comprimento e alimentado por painéis solares, o pequeno robô iniciou uma jornada científica pioneira, transmitindo dados cruciais para a Terra.
Planejado para operar por apenas uma semana marciana (sóis), o Sojourner surpreendeu, funcionando por 83 sóis, ou cerca de 85 dias terrestres.
O ritual musical na NASA
Para os cientistas na Terra, tocar músicas no início do expediente era uma forma de marcar o início das atividades do dia, tanto para eles quanto para o rover em Marte.
No primeiro dia, a canção “Mad About You”, tema de uma série norte-americana, deu as boas-vindas à equipe e ao equipamento. No entanto, a escolha musical ganharia um toque especial logo depois.
Jacqueline Lyra
Seis dias após o pouso, Jacqueline Lyra, engenheira aeroespacial brasileira da NASA, assumiu a tarefa de escolher a canção matinal. Carioca e apaixonada por samba, Jacqueline decidiu que nada melhor para “acordar” o robô do que uma música com alma e sentimento.
A escolha foi “Coisinha do Pai”, composição de Jorge Aragão, Almir Guineto e Luiz Carlos, imortalizada na voz de Beth Carvalho.
A música não foi escolhida apenas pelo ritmo contagiante, mas também como uma demonstração de carinho da equipe para o rover Sojourner. O samba, gênero musical que simboliza a identidade brasileira, trouxe uma dimensão humana à missão, conectando o planeta Terra ao distante mundo vermelho através de uma melodia repleta de história e emoção.
Características e conquistas do Rover “Acordado” com samba
Equipado com seis rodas e duas câmeras, o Sojourner coletou 550 imagens e realizou 15 análises químicas do solo marciano, além de monitorar os ventos no planeta.
Comunicava-se com a Terra via módulo de pouso, e sua missão ajudou a abrir caminho para futuros rovers como Spirit, Opportunity, Curiosity e Perseverance, com os quais Jacqueline também trabalhou.
Cultura brasileira em outros mundos
Esse episódio único reforça a importância da diversidade cultural mesmo em empreitadas científicas de alta tecnologia. O samba em Marte simboliza que, independentemente da distância, os ritmos e expressões humanas podem acompanhar o progresso e inspirar as equipes que trabalham para expandir os limites do conhecimento.
O ato simbólico de usar música brasileira para marcar o começo de um dia em Marte mostra como ciência e arte podem caminhar juntas. Também destaca a presença e contribuição de brasileiros no cenário espacial mundial, como Jacqueline Lyra, que foi responsável por monitorar a temperatura dos rovers pioneiros.





