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Mulher centenária tem genética de alguém vinte anos mais jovem

Por Leticia Florenço
18/10/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Maria Branyas - Reprodução

Maria Branyas - Reprodução

Nascida em 1907, na Catalunha, Maria Branyas viveu até os 117 anos e foi reconhecida como a pessoa mais idosa do mundo em seu tempo. Durante a vida, trabalhou como dona de casa, costureira e enfermeira, além de manter hábitos simples que a acompanhariam até o fim.

Mesmo aos 112 anos, ainda encantava ao piano, um reflexo da vitalidade preservada. Sua família também impressiona pela longevidade, duas filhas vivas com mais de 90 anos sugerem que os genes desempenharam um papel relevante em sua trajetória.

Um dos últimos desejos de Maria foi que seu corpo fosse estudado após a morte. Atendendo à solicitação, pesquisadores do Instituto Josep Carreras analisaram seu DNA e outros aspectos biológicos, em busca de respostas sobre a “superlongevidade”.

O estudo, publicado na revista Cell Reports Medicine, revelou que sua idade biológica era até 20 anos mais jovem do que a cronológica, um achado raro e valioso para a ciência.

DNA com sinais de juventude

A análise genética mostrou uma combinação, apesar do desgaste visível em estruturas como os telômeros, Maria mantinha um sistema imunológico ativo e resiliente, semelhante ao de pessoas bem mais jovens.

Essa mistura de fatores pode ter lhe garantido proteção contra doenças neurodegenerativas, cardiovasculares e metabólicas que costumam afetar idosos em idades muito inferiores.

Outro ponto de destaque foi a microbiota intestinal da centenária, rica em bifidobactérias. Esses microrganismos ajudam a reduzir inflamações e a inibir bactérias nocivas.

Os cientistas acreditam que esse equilíbrio pode ter sido favorecido pelo consumo regular de iogurte, um alimento fermentado que Maria apreciava e que é conhecido por beneficiar a saúde do intestino.

Como medir a idade biológica

Enquanto a idade cronológica é marcada pelo tempo de vida, a idade biológica avalia o desgaste das células em nível molecular. Técnicas modernas permitem estimar esse parâmetro e identificar se o organismo envelhece mais devagar ou mais rápido do que o esperado.

Segundo especialistas, esse processo depende de uma interação entre genética e estilo de vida, influenciada também por fatores epigenéticos, ou seja, pela forma como os genes são ativados ou silenciados ao longo da vida.

Genética e estilo de vida

A geriatra Daniela Galati, do Hospital Israelita Albert Einstein, lembra que não existe um único “gene da longevidade”. O que existe é um conjunto de variações genéticas moduladas pelo ambiente, pela alimentação, pela prática de atividades físicas e até pelo nível de estresse.

Isso significa que, embora a sorte genética seja importante, a forma como vivemos pode acelerar ou frear o envelhecimento.

Healthspan x Lifespan

A descoberta de Maria reacende o debate sobre dois conceitos distintos. O lifespan refere-se ao tempo total de vida, enquanto o healthspan destaca a quantidade de anos vividos com saúde e autonomia.

Para os geriatras, mais relevante do que alcançar idades extremas é assegurar qualidade de vida nos anos conquistados, evitando longos períodos de fragilidade e dependência.

Limites do estudo e perspectivas futuras

Embora fascinante, o caso de Maria Branyas é único e não pode ser generalizado para toda a população. Ainda assim, os cientistas acreditam que ele abre portas para identificar novos biomarcadores de envelhecimento e mecanismos de proteção genética.

O desafio será expandir a pesquisa para populações maiores, a fim de compreender se esses fatores podem, no futuro, orientar tratamentos ou estratégias para retardar o envelhecimento em outras pessoas.

Sua história mostra que, embora não exista fórmula mágica para a longevidade, é possível aprender com casos excepcionais e, assim, construir caminhos para que mais pessoas vivam não apenas mais anos, mas anos de vida plena.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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