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Motorista de aplicativo pode ter 13º, férias e FGTS após decisão inédita

Por Leticia Florenço
13/04/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Motorista de aplicativo - Reprodução/iStock

Motorista de aplicativo - Reprodução/iStock

Uma decisão recente da Justiça do Trabalho em São Paulo reacendeu o debate sobre os direitos dos motoristas de aplicativo no Brasil.

O caso envolve um profissional vinculado à empresa 99, que conseguiu o reconhecimento de uma nova forma de vínculo trabalhista, o chamado trabalhador digital avulso.

A medida, considerada inédita, pode abrir precedentes importantes para milhares de trabalhadores que atuam em plataformas digitais em todo o país.

Nova categoria busca adaptar leis tradicionais à economia digital

O entendimento adotado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região aponta para uma tentativa de atualizar a legislação frente às transformações do mercado de trabalho.

A figura do trabalhador digital avulso surge como uma alternativa intermediária entre o empregado formal e o autônomo, reconhecendo características específicas da atuação via aplicativos.

Essa adaptação considera que, embora o motorista tenha certa autonomia, ele também está sujeito a regras, algoritmos e diretrizes impostas pelas plataformas, o que, segundo o tribunal, pode configurar uma relação de trabalho com direitos assegurados.

Direitos trabalhistas entram no centro da discussão

Com o novo enquadramento, o motorista pode ter acesso a benefícios previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), como:

  • 13º salário
  • Férias remuneradas
  • Depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)

A decisão representa um possível avanço na proteção social desses profissionais, que historicamente operam sem garantias trabalhistas tradicionais. Especialistas apontam que o reconhecimento desses direitos pode reduzir a precarização e trazer mais estabilidade financeira à categoria.

Empresa evita comentar e processo ainda pode mudar

Procurada, a 99 informou que não comenta processos judiciais em andamento. Como ainda cabe recurso, o caso pode passar por novas análises e até chegar a instâncias superiores, o que significa que o entendimento ainda não é definitivo.

Mesmo assim, o julgamento já provoca repercussão no setor, especialmente entre outras empresas de tecnologia e mobilidade que operam com modelos semelhantes.

Impactos

A decisão levanta discussões mais amplas sobre o futuro das relações de trabalho no Brasil. Caso esse entendimento se consolide, outras ações semelhantes podem surgir, pressionando o Judiciário a estabelecer uma linha mais clara sobre o vínculo entre plataformas e trabalhadores.

Além disso, o tema também pode ganhar espaço no Legislativo, com possíveis propostas para regulamentar de forma específica o trabalho em aplicativos, algo que vem sendo debatido há anos no país.

Desafio

O grande desafio agora será encontrar um ponto de equilíbrio entre a flexibilidade proporcionada pelos aplicativos e a necessidade de garantir direitos básicos aos trabalhadores.

Enquanto empresas defendem modelos mais livres, trabalhadores e especialistas em direito apontam para a importância de segurança jurídica e proteção social.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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