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Motivo pelo qual o corpo dá aquele susto repentino quando você está adormecendo

Por Leticia Florenço
27/05/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Você está deitado, o corpo começando a relaxar, a mente quase apagando, quando de repente acontece um “tranco” involuntário. Pode ser uma perna que se mexe sozinha, um braço que estremece ou até a sensação de queda no vazio.

Esse fenômeno é conhecido como espasmo noturno, ou mioclonia do sono, e apesar de parecer alarmante, na maioria das vezes não representa nenhum problema de saúde.

Estudos apontam que esse tipo de movimento é extremamente frequente. De acordo com o National Institute of Neurological Disorders and Stroke (NINDS), até 70% das pessoas saudáveis já experimentaram esse tipo de espasmo ao menos uma vez na vida, o que reforça seu caráter comum e geralmente benigno.

O que acontece no cérebro durante o início do sono

O espasmo noturno ocorre no momento em que o corpo está fazendo a transição entre estar acordado e dormir, uma fase chamada de estado hipnagógico. Nesse processo, o sistema nervoso começa a reduzir gradualmente sua atividade, os músculos relaxam e a consciência vai se desligando aos poucos.

O problema é que essa transição nem sempre é perfeitamente sincronizada. Em alguns casos, o cérebro interpreta o relaxamento muscular rápido como se fosse uma queda ou perda de controle corporal. Para “corrigir” essa interpretação, ele envia um impulso elétrico abrupto aos músculos, provocando o famoso tranco.

A sensação de queda e a resposta de proteção do corpo

A sensação de estar caindo não é imaginária no sentido psicológico, mas sim uma interpretação do cérebro. Uma das teorias mais conhecidas sugere que esse mecanismo pode ter origem evolutiva, quando os seres humanos ainda dormiam em locais elevados, como árvores.

Nesse contexto, qualquer relaxamento muscular repentino durante o sono poderia ser interpretado pelo cérebro como risco real de queda.

Assim, ele acionaria um reflexo de proteção, contraindo os músculos de forma brusca para evitar um suposto acidente. Hoje, mesmo sem esse risco real, o mecanismo ainda persiste no organismo humano.

Fatores que podem aumentar os espasmos noturnos

Embora sejam naturais, esses espasmos podem se tornar mais frequentes dependendo do estilo de vida e do estado emocional da pessoa. O estresse e a ansiedade estão entre os principais fatores associados, já que mantêm o cérebro em estado de alerta, dificultando o relaxamento progressivo necessário para o sono.

O consumo de cafeína, energéticos e outras substâncias estimulantes também pode aumentar a excitabilidade do sistema nervoso, favorecendo esses “trancos”.

Além disso, exercícios físicos muito intensos realizados perto da hora de dormir podem deixar o corpo em estado de ativação prolongada, dificultando a transição suave para o sono.

A relação entre ansiedade e sono fragmentado

A ansiedade tem um papel importante nesse fenômeno porque interfere diretamente na forma como o cérebro “desliga” durante a noite. Quando a mente está hiperativa, preocupada ou sob estresse constante, o relaxamento não acontece de maneira gradual, e isso pode aumentar a ocorrência de contrações involuntárias.

Esse estado de alerta constante faz com que o organismo demore mais para atingir fases profundas do sono, tornando o início do descanso mais instável e propenso a interrupções.

Os diferentes tipos de mioclonia noturna

Nem todo espasmo ao dormir é igual. A forma mais comum é a chamada mioclonia fisiológica, considerada normal e inofensiva. Ela acontece de forma isolada, dura poucos segundos e está diretamente ligada ao processo natural de adormecer.

Existe também a mioclonia idiopática, quando os movimentos se tornam mais frequentes sem uma causa clara identificada. Em alguns casos, isso pode afetar a qualidade do sono e causar cansaço durante o dia.

Já a mioclonia secundária ocorre quando os espasmos são consequência de outras condições de saúde, como problemas renais, hepáticos ou metabólicos. Nesses casos, o espasmo é apenas um sintoma.

Por fim, há a mioclonia epiléptica, que está relacionada a alterações elétricas no cérebro e exige acompanhamento neurológico especializado.

Quando o espasmo pode ser um sinal de alerta

Na maioria dos casos, esses movimentos não exigem preocupação. No entanto, quando os espasmos acontecem com muita frequência, atrapalham o sono de forma significativa ou estão associados a outros sintomas neurológicos, é importante buscar avaliação médica.

Sinais como cansaço excessivo durante o dia, despertares constantes ou movimentos muito intensos podem indicar a necessidade de investigação mais detalhada com um especialista em sono ou neurologia.

Como reduzir os espasmos e melhorar o sono

Embora não exista necessidade de tratamento para os casos normais, algumas mudanças de hábito podem ajudar a reduzir a frequência dos espasmos. Manter horários regulares de sono contribui para estabilizar o relógio biológico e facilitar a transição entre vigília e descanso.

Evitar cafeína e estimulantes nas horas que antecedem o sono também é importante, assim como criar uma rotina relaxante antes de dormir, com atividades leves que ajudem o cérebro a desacelerar. Técnicas de respiração, leitura e banhos mornos podem contribuir para um adormecer mais suave.

Os espasmos noturnos fazem parte de um processo complexo e natural do sistema nervoso. Embora possam causar susto no momento em que acontecem, eles geralmente representam apenas uma pequena falha na transição entre estar acordado e dormir.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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