Um estudo conduzido pela University of Oxford e publicado em 2026 na American Economic Review analisou os impactos da perda de um dos pais na vida adulta e identificou efeitos prolongados sobre saúde mental, renda e estabilidade profissional.
A pesquisa utilizou dados administrativos da Dinamarca entre 1985 e 2014, acompanhando adultos de 25 a 50 anos que perderam pai ou mãe de forma repentina, em situações como infartos, AVCs e acidentes.
Para medir os efeitos do luto, os pesquisadores compararam essas pessoas com indivíduos de perfis semelhantes que não passaram pela mesma experiência.
Impacto da morte dos pais
Os resultados mostram que o impacto da perda ultrapassa o aspecto emocional e pode gerar efeitos duradouros na vida familiar, na estabilidade profissional e na manutenção da renda ao longo dos anos.
- Saúde mental: aumento na procura por apoio psicológico, maior uso de medicamentos psiquiátricos e crescimento de prescrições de opioides após a perda de um dos pais.
- Consequências profissionais e familiares: pesquisadores apontam efeitos na produtividade, estabilidade no trabalho e permanência no mercado profissional.
- Mudanças na rotina familiar: muitos filhos adultos passam a assumir os cuidados do cônjuge viúvo, o que pode provocar mudanças de cidade, rotina ou emprego.
- Impacto na renda: cinco anos após a perda, os homens tiveram queda média de cerca de 2% nos rendimentos, enquanto entre as mulheres a redução chegou a aproximadamente 3%.
- Grupo mais afetado financeiramente: mulheres com filhos pequenos apresentaram redução média de cerca de 4% na renda ao longo do período analisado.
Necessidade de apoio
O estudo aponta que a perda da rede de apoio familiar, sobretudo dos avós nos cuidados com crianças, contribui para o maior impacto financeiro entre as mulheres.
Em famílias com filhos pequenos, a morte da mãe tende a gerar consequências econômicas mais significativas do que a do pai.
Os pesquisadores alertam ainda que os efeitos do luto podem ser mais severos em países com menor proteção social e acesso limitado à saúde mental.
Diante disso, o estudo defende ampliação de políticas de apoio psicológico, acolhimento familiar e flexibilização do trabalho após perdas importantes.





