A tendência de decorar dentes com palavras, símbolos e adesivos está conquistando jovens chineses. Inscrições como “riqueza” e “sucesso” em coroas impressas em 3D são vendidas como um luxo moderno, prometendo sorte e prosperidade.
O procedimento custa entre 1.000 e 2.000 yuans (R$ 700 a R$ 1.400) e é amplamente divulgado nas redes sociais locais.
Clínicas privadas garantem que as coroas são feitas de materiais avançados e que não causam desconforto. Alguns procedimentos incluem adesivos prateados ou coloridos colados nos dentes, criando um efeito temporário de tatuagem. Para muitos usuários, o charme da novidade supera os riscos percebidos.
Especialistas alertam
Dentistas chineses e brasileiros alertam, o grande problema está no desgaste do esmalte dentário. Diferente da pele, o esmalte não se regenera. Qualquer intervenção estética que exija desgaste, mesmo pequeno, pode enfraquecer os dentes de forma permanente.
Além disso, a superfície irregular favorece acúmulo de placa bacteriana e pode causar retração gengival.
O esmalte é a camada protetora natural do dente. Sua perda, mesmo que mínima, expõe a estrutura dentária a cáries e fraturas. “O desgaste inicial pode parecer pequeno, mas com reposições ou ajustes consecutivos, o dano se acumula e pode ser irreversível”, explica Rafael Carpinetti, professor de Estética e Ortodontia.
Legislação e ética profissional
No Brasil, qualquer procedimento estético dentário só pode ser feito por cirurgiões-dentistas. O Código de Ética proíbe práticas que causem dano desnecessário à saúde bucal. Piercings, grillz ou adesivos aplicados por pessoas não habilitadas configuram exercício ilegal da profissão.
A decoração dentária não é novidade: civilizações antigas, como a Maia, usavam pedras preciosas nos dentes como símbolo de status. Hoje, a moda inclui adesivos, piercings e grelhas, mas o risco permanece.
Materiais de baixa durabilidade podem quebrar, manchar ou causar inflamações, além de prejudicar a mordida e a articulação.
Consequências irreversíveis
Mesmo sem estudos específicos sobre tatuagens dentárias, evidências de piercings e adesivos bucais indicam que os danos podem ser imediatos e progressivos. Desgastes sucessivos aumentam o risco de fraturas, inflamações gengivais e mau hálito.
Para especialistas, os prejuízos podem ser drásticos e de difícil recuperação total.





