Um fenômeno geológico inusitado vem intrigando cientistas: pulsos rítmicos subterrâneos foram detectados na região de Afar, no nordeste da Etiópia.
Publicado na última quarta-feira (25), na revista Nature Geoscience, o estudo descreve esse padrão como uma espécie de “batimento cardíaco da Terra”, impulsionado por ondas de calor e material derretido que sobem do manto terrestre em intervalos regulares.
Embora a analogia com o coração seja simbólica, os pesquisadores destacam que essas pulsações seguem uma cadência marcada, o que indica uma complexa atividade cíclica no interior do planeta.
Pulsações no manto: um ritmo ancestral

A equipe de geólogos, liderada por universidades britânicas como Southampton e Swansea, analisou 130 amostras de rochas vulcânicas com até 2,6 milhões de anos de idade.
Ao compará-las com registros geológicos mais antigos, os cientistas identificaram alterações químicas progressivas, atribuídas ao comportamento pulsante da pluma do manto de Afar.
Esse tipo de pluma consiste em uma coluna de rocha superaquecida que se desloca do interior profundo da Terra em direção à crosta.
No caso de Afar, trata-se de uma das raras plumas que emergem sob terras continentais, e não sob o fundo dos oceanos. Isso confere ao fenômeno uma complexidade estrutural ainda maior.
Um novo oceano em formação?
O avanço gradual da pluma está provocando fissuras na crosta africana, sugerindo o início de uma ruptura continental. De acordo com os cientistas, esse processo pode, ao longo de milhões de anos, resultar na formação de um novo oceano, redesenhando a geografia do continente.
“O manto sob Afar não é estático – ele pulsa e carrega sinais químicos únicos”, explica a geóloga Emma Watts, autora principal do estudo. “Essas pulsações ascendem e atravessam as placas tectônicas em processo de separação.”
Implicações para vulcanismo e terremotos
Além da Etiópia, pulsos semelhantes já foram observados em regiões como as Ilhas Canárias, sugerindo que esse pode ser um padrão global, ainda pouco compreendido.
Os cientistas agora buscam aprofundar a investigação sobre a velocidade dessas ressurgências e seus possíveis impactos na superfície, como atividade vulcânica e eventos sísmicos.
“Esses achados desafiam a visão tradicional da tectônica de placas e mostram que o interior do planeta exerce influência direta e dinâmica sobre a crosta”, afirma o geólogo Derek Keir, da Universidade de Southampton.
Com novas pesquisas, a ciência espera não apenas entender melhor a origem das pulsações, mas também aprimorar as previsões sobre os efeitos geológicos de longo prazo.





