Depois de mais de 50 anos de incertezas, pesquisadores das universidades Brown, Harvard e Washington, em St. Louis, conseguiram solucionar o enigma das enigmáticas contas de vidro alaranjadas coletadas na superfície lunar pela missão Apollo 17, em 1972.
Os estudos indicam que as partículas se formaram a partir de antigas erupções vulcânicas na Lua, oferecendo novos dados sobre a estrutura interna do satélite. As descobertas serão detalhadas na edição de setembro da revista científica Icarus.
Vidro na lua
- Mais de 74 mil contas de vidro lunar foram analisadas, cada uma com menos de 1 milímetro de diâmetro.
- As contas se formaram entre 3,6 e 3,3 bilhões de anos atrás, durante a era de intensa atividade vulcânica da Lua.
- Parte das partículas é composta por lava que se solidificou instantaneamente no vácuo gelado da superfície lunar.
- A presença dessas contas indica que a Lua passou por erupções explosivas, semelhantes às fontes de fogo dos vulcões havaianos.
- A pesquisa só foi possível graças ao avanço das tecnologias de análise em escala atômica.
- A equipe, liderada pelo geoquímico Thomas Williams (Universidade Brown) e pelo físico Ryan Ogliore (Universidade Washington), empregou uma abordagem multidisciplinar.
- Foram utilizados instrumentos de alta precisão, como a microssonda iônica NanoSIMS 50 e a tomografia por sonda atômica.
- Técnicas adicionais, como microscopia eletrônica e espectroscopia de raios X por dispersão de energia, também foram fundamentais para o estudo.
Análises e considerações
A análise das contas de vidro lunares revelou a presença de nanominerais raros formados por zinco, ferro e enxofre, indicando que os gases liberados nas erupções lunares eram mais complexos do que se supunha. Modelos termoquímicos apontam para um interior lunar com características distintas das da Terra.
Para preservar a integridade das amostras, foi necessário protegê-las da atmosfera terrestre, o que exigiu equipamentos avançados e técnicas precisas. Mesmo assim, as medições foram desafiadoras devido à delicadeza do material.
Consideradas registros naturais do passado da Lua, as contas oferecem pistas valiosas sobre a atividade vulcânica antiga. Com base nesses dados, os cientistas agora investigam a evolução das nuvens de gás e a possível heterogeneidade do magma lunar.





