Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Jiaotong de Xi’an, na China, evidencia a influência da alimentação sobre a saúde mental ao indicar que o consumo de minerais essenciais pode estar relacionado ao risco de desenvolvimento de depressão, ansiedade e outros transtornos psicológicos.
Publicada na base científica PubMed, a pesquisa avaliou informações de 199.877 participantes do UK Biobank, um dos maiores repositórios de dados em saúde do mundo, acompanhados ao longo de um período médio de 13 anos, todos sem diagnóstico prévio de transtornos mentais no início do acompanhamento.
Minerais na alimentação
Os resultados indicaram que:
- Ferro: maior consumo associado à redução do risco de depressão (redução aproximada entre 9,5% e 12%).
- Magnésio: maior consumo associado à redução do risco de depressão (redução aproximada entre 9,5% e 12%) e efeito protetor mais pronunciado em pessoas ≤55 anos.
- Selênio: maior consumo associado à redução do risco de depressão (redução aproximada entre 9,5% e 12%).
- Cálcio: ingestão elevada associada a aumento do risco de depressão (≈+10,4%) e ansiedade (≈+15,4%).
- Manganês: maior ingestão ligada à redução do risco de suicídio (≈33%).
- Zinco: maior consumo relacionado à menor incidência de transtorno de estresse pós-traumático (PTSD) (≈57%).
- Potássio: ingestão mais elevada apontada como protetora em alguns achados, com efeito particularmente forte em pessoas ≤55 anos.
- Cobre: citado entre minerais com efeitos mais fortes em pessoas ≤55 anos.
Os dados apontaram ainda diferenças conforme sexo e faixa etária, com efeitos mais expressivos dos minerais em mulheres e em indivíduos com menos de 55 anos, sugerindo que fatores hormonais e metabólicos podem influenciar essas associações.
Relação com risco de depressão e ansiedade
Embora se trate de um estudo observacional, sem comprovação de causalidade, os resultados reforçam a importância da alimentação na prevenção de transtornos mentais e em uma abordagem mais integral da saúde. Segundo os pesquisadores, manter uma dieta equilibrada, com consumo adequado de minerais como magnésio, potássio, ferro, zinco, cobre e manganês, pode ser uma estratégia acessível para promover o bem-estar psicológico.
Apesar das limitações da amostra, composta majoritariamente por indivíduos brancos e mais saudáveis que a média, as evidências ampliam a compreensão de que os hábitos alimentares influenciam não apenas o funcionamento físico do organismo, mas também a saúde emocional e a qualidade de vida.






