As mais recentes projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) acenderam um sinal de alerta sobre o lugar que o Brasil ocupa na economia mundial.
Segundo os dados atualizados, o país está a poucos passos de integrar a metade inferior do ranking global de Produto Interno Bruto (PIB) per capita ajustado pela paridade do poder de compra (PPC) — um espaço normalmente associado às nações com menor desenvolvimento econômico.
Metade mais pobre do planeta é quase uma realidade do Brasil
Em 2024, o Brasil deve aparecer na 87ª posição entre os países avaliados, e a tendência é de piora: até 2030, pode cair para a 89ª colocação.
A linha que divide a metade superior da metade inferior do ranking passa pela 96ª posição, o que coloca o país a apenas nove degraus de cruzar esse limiar. Se esse ritmo de desaceleração for mantido, a distância cairá ainda mais nos próximos anos.
Esse movimento revela um processo contínuo de estagnação econômica que vem se arrastando há mais de uma década.
Entre 2011 e 2024, o avanço médio do PIB per capita brasileiro foi de apenas 0,6% ao ano — um desempenho fraco em comparação com outras economias emergentes.
Atualmente, a média do PIB per capita dos países emergentes já equivale a 78% do brasileiro, e a previsão é que essa proporção suba para 82% em 2030. Em 1980, esses mesmos países produziam, em média, apenas 31% da renda per capita do Brasil.
Investimento em educação e infraestrutura pode reverter situação do Brasil
A comparação com países que conseguiram sair da armadilha da renda média é reveladora.
Na década de 1990, a produtividade de um trabalhador brasileiro era semelhante à de um sul-coreano. Hoje, essa produtividade representa menos da metade da registrada na Coreia do Sul.
Casos como o da Polônia, China e Turquia ilustram como o investimento consistente em educação, infraestrutura e políticas industriais pode impulsionar o crescimento sustentável.
No Brasil, as causas da estagnação são múltiplas: baixa produtividade, envelhecimento populacional precoce, poupança interna insuficiente e falhas crônicas no sistema educacional.
Economistas apontam que, sem reformas estruturais, ampliação da qualidade do ensino básico e políticas que aproximem a formação profissional das demandas do mercado, o país corre o risco de envelhecer antes de enriquecer — consolidando sua permanência na metade mais pobre do planeta.






