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Metade de empréstimos solicitados por aposentados são para contas comuns

Por Leticia Florenço
24/01/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Foto: (Imagem/Reprodução)

Foto: (Imagem/Reprodução)

A aposentadoria, que deveria representar um período de maior tranquilidade financeira, tem sido marcada por desafios para milhões de brasileiros.

Dados recentes de uma pesquisa da Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, revelam um cenário preocupante: metade dos aposentados precisa recorrer a empréstimos para pagar contas comuns do dia a dia, como alimentação, moradia e medicamentos.

O levantamento mostra que a estabilidade financeira ainda está distante da realidade de quem vive exclusivamente do benefício previdenciário, mesmo após os reajustes aplicados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Empréstimos deixam de ser exceção e viram regra

Segundo a pesquisa, 50% dos aposentados já solicitaram empréstimos para arcar com despesas básicas, enquanto outros 35% afirmam ter recorrido ao crédito para cobrir gastos considerados essenciais.

Isso inclui contas de casa, supermercado, farmácia e despesas médicas, que costumam pesar mais no orçamento com o avanço da idade.

Esse dado evidencia uma mudança preocupante no papel do crédito: em vez de ser usado para emergências pontuais, ele passa a funcionar como complemento fixo de renda.

Risco de endividamento cresce após a aposentadoria

Entre os 952 entrevistados, 44% afirmaram que o risco de endividamento aumentou depois que passaram a receber o benefício do INSS. A percepção é reforçada pela dificuldade em equilibrar uma renda mais limitada com despesas que continuam elevadas e, em muitos casos, crescentes.

Mesmo com maior experiência de vida, muitos aposentados relatam insegurança financeira e receio de não conseguir manter autonomia no futuro.

Reajuste dos benefícios não acompanha todas as necessidades

Em janeiro de 2026, os benefícios do INSS passaram por reajuste, mas de forma desigual:

  • Quem recebe o piso previdenciário passou a ganhar R$ 1.621, valor alinhado ao novo salário mínimo, com correção de 6,79% e ganho real acima da inflação
  • Quem recebe acima do mínimo teve reajuste de 3,90%, baseado no INPC acumulado de 2025

Apesar do aumento, 46% dos aposentados afirmam que o valor recebido não é suficiente para manter o padrão de vida anterior, o que reforça a necessidade de crédito e outras fontes de renda.

Medo da dependência financeira preocupa aposentados

Outro dado relevante da pesquisa aponta que 44% dos entrevistados têm medo de precisar de ajuda financeira de familiares ou terceiros. O receio de perder a autonomia aparece como uma das principais angústias dessa fase da vida.

Esse sentimento está diretamente ligado à dificuldade de arcar com despesas essenciais apenas com o valor da aposentadoria.

Para onde vai o dinheiro do benefício

A pesquisa também detalha os principais destinos do dinheiro recebido mensalmente pelos aposentados:

  • Alimentação e supermercado: 60%
  • Saúde e medicamentos: 55%
  • Impostos e taxas: 37%
  • Contas de água, luz e gás: 32%
  • Pagamento de dívidas: 29%

Os gastos com saúde ganham destaque e tendem a aumentar com o passar dos anos, pressionando ainda mais o orçamento.

Aposentados que continuam trabalhando viram maioria

Diante das dificuldades, 60% dos aposentados continuam exercendo alguma atividade profissional. A principal motivação, segundo 63% deles, é a necessidade de complementar a renda. Outros 57% dizem que o trabalho ajuda a manter uma rotina ativa e saudável.

As fontes de renda complementar incluem:

  • Trabalho formal: 26%
  • Atividades como freelancer ou autônomo: 18%
  • Renda com imóveis, como aluguel: 17%

Planejamento financeiro ameniza impactos, mas não elimina desafios

Apesar do cenário desafiador, 65% dos aposentados afirmam que se planejaram financeiramente para essa fase da vida. O objetivo é reduzir a dependência exclusiva do benefício previdenciário e ter maior previsibilidade no orçamento.

Segundo a especialista da Serasa em educação financeira, Aline Vieira, o planejamento continua sendo fundamental mesmo após a aposentadoria, com foco no controle de gastos, revisão de prioridades e uso consciente do crédito.

Crédito como alerta, não como solução permanente

O aumento do uso de empréstimos entre aposentados acende um sinal de alerta sobre a sustentabilidade financeira dessa parcela da população. Embora o crédito possa ajudar em momentos pontuais, seu uso contínuo para despesas básicas indica um desequilíbrio estrutural entre renda e custo de vida.

O desafio agora é ampliar a educação financeira, fortalecer políticas de proteção ao aposentado e criar alternativas que garantam mais segurança econômica a quem já contribuiu por décadas com o país.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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Os geradores de imagens baseados em Inteligência Artificial (IA) avançaram a um ritmo surpreendente. Em poucos anos, conseguiram criar rostos humanos tão detalhados e convincentes que, para muitas pessoas, parecem ainda mais realistas do que rostos reais. Esse avanço tecnológico apresenta um desafio crescente: como distinguir uma imagem autêntica de uma criada por algoritmos? Um novo estudo conduzido por pesquisadores do Reino Unido oferece uma possível resposta. A chave está em combinar a excepcional expertise humana com um treinamento breve e direcionado. De acordo com tal estudo, essa estratégia poderia melhorar significativamente a detecção de rostos gerados por IA, uma capacidade cada vez mais necessária em um mundo repleto de fraudes digitais e desinformação. Pessoas com alta capacidade de reconhecimento versus pessoas comuns O estudo avaliou 664 voluntários divididos em dois grupos principais. Um grupo era composto pelos chamados super-reconhecedores, indivíduos que haviam demonstrado anteriormente uma capacidade extraordinária de identificar e comparar rostos humanos. O outro grupo era composto por participantes com habilidades típicas de reconhecimento facial. Ambos os grupos foram testados para distinguir entre imagens reais e rostos gerados por IA. Os resultados iniciais mostraram que, embora os super-reconhecedores tivessem um desempenho melhor do que a média, eles também encontraram dificuldades significativas na detecção de imagens falsas. Após o treinamento, as pessoas se tornaram melhores em detectar IA. Crédito: Gray et al., R. Soc. Open Sci., 2025. Após o treinamento, as pessoas se tornaram melhores em detectar IA. Crédito: Gray et al., R. Soc. Open Sci., 2025. "O problema é que as imagens geradas por IA estão se tornando mais fáceis de produzir e mais difíceis de identificar", explicou Eilidh Noyes, pesquisadora de psicologia da Universidade de Leeds e uma das autoras do estudo. "Isso as torna potencialmente perigosas do ponto de vista da segurança", disse. Dois testes, um desafio O estudo incluiu dois tipos diferentes de tarefas. Na primeira, os participantes visualizaram uma única imagem de um rosto e tiveram que decidir se era real ou gerada artificialmente. Na segunda, foram mostradas duas imagens, uma real e outra artificial, e eles foram solicitados a identificar a falsa. Cada experimento envolveu um grupo diferente de voluntários. Entre aqueles que não haviam recebido nenhum treinamento prévio, os participantes com maior capacidade de reconhecimento identificaram corretamente os rostos gerados por IA em 41% das vezes. Pessoas com habilidades normais alcançaram uma taxa de acerto de apenas 31%. Dado que metade das imagens era falsa, essas porcentagens são perigosamente próximas do acaso, confirmando o quão convincente um rosto artificial pode ser. O impacto de um treino de 5 minutos A diferença mais notável surgiu quando uma breve sessão de pré-treinamento foi incorporada. Nesse caso, os participantes receberam apenas 5 minutos de treinamento focado na detecção de sinais característicos nas imagens geradas por IA. Entre as dicas ensinadas estavam detalhes sutis como dentes ausentes, inconsistências na textura da pele ou um desfoque incomum nos contornos do cabelo e do rosto. Após esse treinamento, os resultados mudaram significativamente. Pessoas com habilidades típicas conseguiram identificar imagens falsas com 51% de precisão, um resultado próximo ao acaso. No entanto, os super-reconhecedores aumentaram sua eficácia para 64%, superando em muito o acaso. "Nosso estudo demonstra que a combinação de super-reconhecedores e treinamento pode ser uma ferramenta útil para detectar rostos gerados por IA", disse Noyes.

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