A insônia é um dos distúrbios mais comuns do século XXI, afetando diretamente a produtividade, o humor e até o envelhecimento cerebral.
Após anos de estudos e uso recorrente de medicamentos com alto potencial de dependência, o Brasil agora conta com uma alternativa inédita e mais segura com o lemborexante, conhecido comercialmente como Dayvigo, desenvolvido pela farmacêutica japonesa Eisai e aprovado pela Anvisa em setembro deste ano.
O medicamento vem sendo celebrado por especialistas e pesquisadores como um marco na medicina do sono, capaz de oferecer resultados eficazes sem comprometer a saúde cognitiva dos pacientes.
Como o Dayvigo funciona
Diferente dos tradicionais benzodiazepínicos e das chamadas “drogas Z”, como zolpidem e clonazepam, o lemborexante atua bloqueando os sinais cerebrais que mantêm o cérebro desperto, em vez de simplesmente “desligar” o sistema nervoso central.
Essa variação faz toda a diferença, o novo fármaco não causa sonolência excessiva, não altera o humor diurno e reduz drasticamente o risco de dependência química.
Segundo estudos conduzidos pela Universidade de Oxford, o Dayvigo se destacou entre 36 opções avaliadas, demonstrando excelente tolerabilidade e eficácia em pacientes com diferentes níveis de insônia.
O que o torna mais seguro que os outros
O lemborexante age sobre os receptores de orexina, uma substância que regula o ciclo sono-vigília. Enquanto remédios antigos suprimem o sistema nervoso de forma global, o Dayvigo atua de modo seletivo, interrompendo apenas os sinais que mantêm a mente acordada.
Essa seletividade oferece vantagens importantes:
- Menor risco de dependência e tolerância;
- Menos efeitos colaterais cognitivos (como lapsos de memória e sonolência matinal);
- Redução de episódios de sonambulismo e paradas respiratórias;
- Interação mais segura com o metabolismo natural do sono.
Dosagem e modo de uso
A Anvisa recomenda a dose inicial de 5 mg, administrada uma vez por noite, minutos antes de dormir. O paciente deve garantir ao menos 7 horas de sono antes de acordar.
Em casos específicos, o médico pode aumentar a dose para 10 mg, conforme avaliação clínica. Importante destacar que o uso é restrito a adultos, e o acompanhamento médico é indispensável para garantir segurança e eficácia.
A realidade dos remédios antigos
No Brasil, desde a década de 1960, o tratamento da insônia depende majoritariamente de benzodiazepínicos e drogas Z. Apesar de populares, esses medicamentos causam rápida tolerância, exigindo doses cada vez maiores. Além disso, seu uso prolongado está associado a:
- Dependência química severa;
- Déficits cognitivos progressivos;
- Alterações comportamentais e motoras;
- Riscos fatais se combinados com álcool ou depressivos do sistema nervoso.
Com a liberação do lemborexante pela Anvisa, o Brasil dá um passo histórico na área da medicina do sono. O novo remédio oferece esperança a milhões de pessoas que enfrentam noites em claro, equilibrando eficácia, segurança e qualidade de vida.





