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Medida do Banco Central contra a Reag ocorre um dia após operação da Polícia Federal

Por Leticia Florenço
16/01/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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A decisão do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM, evidencia a gravidade das irregularidades identificadas no âmbito da gestão de fundos ligados à Reag Investimentos.

A medida foi anunciada nesta quinta-feira (15), apenas um dia após a deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, o que reforça a percepção de que os fatos investigados atingiram um nível crítico para a estabilidade e a segurança do sistema financeiro.

A CBSF era responsável por administrar e gerir dezenas de fundos de investimento, atendendo tanto pessoas físicas quanto investidores institucionais. A intervenção do Banco Central indica que a instituição deixou de atender requisitos legais e prudenciais essenciais, comprometendo sua capacidade de operar de forma regular.

O que representa a liquidação extrajudicial na prática

A liquidação extrajudicial é um instrumento extremo utilizado pelo Banco Central quando falhas estruturais e violações graves colocam em risco investidores e o funcionamento do mercado.

Com a decisão, a instituição tem suas atividades interrompidas imediatamente, seus administradores são afastados e os bens dos responsáveis ficam indisponíveis.

Embora a gestora deixe de operar, os fundos de investimento não são automaticamente extintos. Eles continuam existindo, mas precisarão ser transferidos para outras instituições habilitadas, o que gera insegurança, revisões de ativos e reavaliações de risco por parte dos investidores.

A conexão com a Operação Compliance Zero e o caso Banco Master

A liquidação da Reag Trust ocorre em um contexto de investigações que envolvem o Banco Master, considerado o epicentro de um escândalo financeiro de grandes proporções.

O banco já havia sido liquidado pelo próprio Banco Central após a constatação de práticas como a emissão de CDBs com rendimentos muito acima do padrão de mercado e exposição excessiva a investimentos de alto risco.

As investigações apontam que fundos administrados ou estruturados pela Reag teriam sido utilizados para captar recursos, mascarar prejuízos e, posteriormente, desviar valores para o patrimônio pessoal de executivos e familiares do controlador do Banco Master.

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão e bloqueou bilhões de reais em bens, ampliando a pressão sobre todos os envolvidos.

João Carlos Mansur no centro das apurações

Fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur figura entre os principais alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero.

Com uma trajetória consolidada no mercado financeiro, Mansur renunciou ao cargo de presidente do conselho da Reag após a empresa passar a ser investigada em outras operações de grande impacto.

As autoridades apuram se ele teve participação direta ou indireta na criação de estruturas financeiras usadas para ocultar riscos, inflar resultados de fundos e viabilizar esquemas de fraude e lavagem de dinheiro. O histórico profissional sólido contrasta com a gravidade das suspeitas, aumentando a repercussão do caso.

A investigação paralela que liga a Reag à lavagem de dinheiro do PCC

Além do escândalo envolvendo o Banco Master, a Reag aparece nas investigações da Operação Carbono Oculto, que mira um esquema bilionário de sonegação e lavagem de dinheiro atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo a Polícia Federal, fundos de investimento teriam sido utilizados para ocultar a origem de recursos ilícitos provenientes do setor de combustíveis.

Esses fundos, muitas vezes fechados e com poucos cotistas, dificultavam a identificação dos beneficiários finais e ampliavam a opacidade das operações. A Reag é citada como uma das gestoras que teriam administrado ou estruturado parte dessas operações financeiras.

A rápida expansão da Reag e os questionamentos sobre governança

Antes de se tornar alvo de investigações, a Reag viveu um período de crescimento acelerado, marcado por aquisições estratégicas e forte presença no mercado de crédito estruturado e fundos de investimento.

O grupo chegou a administrar centenas de fundos e volumes bilionários de recursos, consolidando-se como uma das maiores gestoras independentes do país.

Com o avanço das apurações, esse crescimento passou a ser analisado sob uma nova ótica, levantando dúvidas sobre a efetividade dos controles internos, a governança corporativa e o cumprimento das normas de compliance exigidas pelo regulador.

Impactos para investidores e para o mercado financeiro

A intervenção do Banco Central provoca efeitos imediatos no mercado, como a necessidade de reorganização dos fundos administrados pela empresa e o aumento da cautela por parte de investidores.

O episódio reforça a importância da supervisão rigorosa e do cumprimento das regras que garantem a transparência e a segurança do sistema financeiro nacional.

O Banco Central informou que continuará apurando responsabilidades e que novas sanções podem ser aplicadas, além do envio de informações a outros órgãos de controle.

O posicionamento da Reag diante das acusações

Em manifestações anteriores, a Reag afirma atuar de forma ética, transparente e em conformidade com a legislação vigente, negando envolvimento em práticas ilícitas. A empresa declara colaborar com as autoridades e sustenta que os fundos sob sua administração não se confundem com o patrimônio da gestora.

Até o momento, não houve pronunciamento específico sobre a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, e o espaço segue aberto para esclarecimentos adicionais.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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